• Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo
    O presente artigo analisa as disparidades doutrinárias entre as principais escolas de Relações Internacionais do eixo Atlântico Norte e as novas vertentes de diplomacia provenientes do Sul Global e do Oriente. Através de uma lente crítica e sob a técnica da paralaxe — que observa o objeto de diferentes posições para captar sua profundidade — examina-se como a pedagogia das instituições da Ivy League e do Reino Unido permanece ancorada em teses clássicas de contenção e hegemonia, enquanto centros de formação na China, Rússia e Brasil buscam consolidar o modelo de desenvolvimento “ganha-ganha” e a multipolaridade ativa.

    1. Introdução
      A formação de quadros diplomáticos no século XXI enfrenta um impasse ontológico. De um lado, o sistema educacional consolidado pelo “Império do Caos” — termo geopolítico para designar a ordem unilateral pós-Guerra Fria — prioriza o Realpolitik neoconservador e a manutenção da primazia militar. De outro, emerge a necessidade de uma ciência política voltada à diplomacia do desenvolvimento, que privilegie a soberania e a cooperação pacífica em detrimento do uso bélico da força.
    2. O Atavismo Geopolítico nas Escolas do Eixo Atlântico
      As instituições de elite, como Harvard (Kennedy School) e Georgetown (SFS), embora detentoras de prestígio acadêmico, operam sob a lógica da “América para os americanos” e do Destino Manifesto.
    • A Persistência de Mackinder: A formação pedagógica nestes centros ainda é centrada no controle da Heartland e na contenção de Estados “revisionistas” (China e Rússia).
    • Diplomacia de Coerção: O currículo é desenhado para produzir especialistas em sanções, operações de influência e soft power instrumentalizado, transformando o diplomata em um gestor de hegemonia em vez de um mediador de conflitos.
    1. A Paralaxe do Sul Global: Brasil, China e Rússia
      Diferente da formação voltada ao conflito, as escolas diplomáticas destes países têm reforçado a tradição da paz ativa e do desenvolvimento soberano.
    • O Modelo Brasileiro: O Instituto Rio Branco mantém a tradição do universalismo, onde a diplomacia é um instrumento de busca por nichos de desenvolvimento e projeção de valores democráticos internacionais, sem o uso da força.
    • A Doutrina Chinesa: A formação em instituições como Tsinghua foca na “Comunidade de Futuro Compartilhado”, onde a infraestrutura (Belt and Road) substitui as bases militares como moeda de troca geopolítica.
    • A Visão Multipolar Russa: A MGIMO (Moscou) teoriza a transição do mundo unipolar para um sistema de grandes espaços soberanos, onde o respeito às zonas de influência e a paridade estratégica são as chaves para a estabilidade.
    1. A Crítica Classista à Institucionalização das Lutas
      Sob o rigor da análise classista, observa-se que as universidades ocidentais ocultam a relação entre o capital financeiro transnacional e a política externa. O “diplomata-falcão” atua como o braço institucional dos interesses das corporações, enquanto a diplomacia proposta pelos BRICS, apesar de suas contradições internas, abre espaço para uma inserção internacional que respeita as especificidades produtivas e as lutas sociais de cada nação.
    2. Conclusão
      A superação das velhas teses geopolíticas exige que a formação dos novos diplomatas e cientistas políticos se desvincule do marketing de imagem das universidades imperiais. O futuro da diplomacia global reside na capacidade de transitar entre os polos de poder sem o recurso à beligerância, focando na integração econômica complementar e na coexistência pacífica das soberanias.
      Referências Bibliográficas
    • BRAILLARD, Philippe. Teorias das Relações Internacionais. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1990.
    • DUGIN, Alexander. A Teoria do Mundo Multipolar. Curitiba: Editora Ars Regia, 2012.
    • LOSURDO, Domenico. A Linguagem do Império: Léxico da Ideologia Estadunidense. Rio de Janeiro: Boitempo, 2010.
    • MACKINDER, Halford J. O Pivô Geográfico da História. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1904/2011.
    • MEARSHEIMER, John J. The Tragedy of Great Power Politics. New York: W. W. Norton & Company, 2001.
    • VIGEVANI, Tullo; CEPALUNI, Gabriel. A Política Externa Brasileira: A Busca da Autonomia, de Sarney a Lula. São Paulo: UNESP, 2007.
    • WANG, Yi. A Diplomacia da China na Nova Era. Beijing: Foreign Languages Press, 2022.
  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo: O presente artigo analisa o sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores em janeiro de 2026 sob a perspectiva das contradições de classe e do colapso do Direito Internacional. Investiga-se a liquidação forçada da Citgo como expropriação do capital estatal periférico, o uso da tortura como ferramenta de desmoralização política e a subsequente “secessão institucional” no Senado dos EUA (Resolução 47) como anticorpo de um sistema imperial em chamas.

    1. Introdução: O Sequestro como Prática de Estado
      O ano de 2026 marcou a transição definitiva do “Império do Caos” para uma fase de pirataria institucional. O sequestro de líderes eleitos e sua submissão a torturas físicas e psicológicas representam a falência da diplomacia burguesa e a adoção do terrorismo de Estado como norma. Academicamente, este fenômeno deve ser compreendido como uma tentativa de “descapitalização política” do Sul Global, onde a eliminação do líder visa a fragmentação da classe trabalhadora organizada.
    2. A Expropriação da Citgo: Vampirismo Econômico
      A liquidação concluída da Citgo em 2026 não foi uma decisão judicial técnica, mas um ato de guerra econômica.
    • Acumulação por Despossessão: Ao confiscar o maior ativo externo da Venezuela, os EUA operam a lógica da acumulação primitiva aplicada ao século XXI.
    • Privatização Forçada: A asfixia gerada pelo roubo da Citgo obrigou o governo de resistência (liderado por Delcy Rodríguez) a uma abertura agressiva ao capital privado para garantir a sobrevivência básica da população, uma contradição imposta pela escassez de recursos.
    1. O Martírio e a Resistência: Contradições de Classe
      A tortura de Maduro e Cilia Flores teve como objetivo quebrar a espinha dorsal do chavismo, mas provocou o efeito oposto.
    • Solidariedade de Classe: A resposta das massas venezuelanas e da CELAC, liderada pelo Brasil, demonstrou que a agressão ao líder é sentida como uma agressão à classe trabalhadora regional.
    • O Eixo Delcy-Padrino López: A manutenção do controle pelo núcleo de segurança (Padrino López) e a gestão técnica de Delcy Rodríguez garantiram que a “anarquia” planejada pela inteligência ianque não se materializasse, mantendo a coesão do Estado sob cerco.
    1. O Colapso do Direito Internacional e a ONU
      As ações de força de 2026 violam os pilares da Carta das Nações Unidas.
    • Inexistência de Ritos: O sequestro e a tortura sem indiciamento ou julgamento lícito constituem crimes contra a humanidade sob o Estatuto de Roma.
    • Resolução 47 do Senado dos EUA: A revolta interna no legislativo norte-americano confirma que a “gangue de Trump” opera fora da própria constitucionalidade americana, gerando um risco sistêmico para a paz mundial.
    1. Conclusão: O Horizonte da Libertação
      O “Império do Caos” sequestrou o presidente, mas não conseguiu sequestrar a história. A aproximação estratégica com a China (sistema BeiDou) e a Índia (parceria Modi-Rodríguez) sinaliza que a asfixia imperial gerou os próprios anticorpos para a sua destruição. O sequestro de 2026 será lembrado como o momento em que o império perdeu a sua última máscara moral, obrigando os povos a reverem suas certezas e a buscarem a soberania definitiva.
      Referências Bibliográficas e Documentais
    • DOUHAN, Alena. Relatório sobre o impacto negativo das medidas coercivas unilaterais. Conselho de Direitos Humanos da ONU, 2025/2026.
    • FIORI, José Luís. O Império do Caos e a Nova Geopolítica do Petróleo. São Paulo: Terra é Redonda, 2026.
    • HARVEY, David. O Novo Imperialismo: Acumulação por Despossessão. (Edição revisada 2025).
    • ONU. Carta das Nações Unidas: Artigos 2(4) sobre a proibição do uso da força e soberania estatal.
    • WOLFF, Richard. The Economics of the Global Boycott and the Decline of the Dollar. 2026.
    • LULA DA SILVA, Luiz Inácio. This Hemisphere Belongs to All of Us. New York Times, 18/01/2026.
  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo: O presente artigo analisa a estrutura fundiária brasileira não como um acidente geográfico ou histórico, mas como um projeto político deliberado de poder. Através de uma perspectiva de classe, examina-se como a elite agrária — historicamente reacionária — moldou o Estado para garantir a concentração de terras, utilizando a violência e a institucionalização de conflitos para barrar a função social da propriedade. Conclui-se que a atual configuração latifundiária é um entrave soberania nacional e ao desenvolvimento humano.

    1. Introdução: A Gênese do Atraso
      A estrutura fundiária do Brasil é o exemplo mais longevo de “modernização conservadora”. Desde as Sesmarias e a Lei de Terras de 1850, o acesso ao solo foi condicionado ao capital e ao poder político, excluindo sistematicamente a massa de trabalhadores, ex-escravizados e imigrantes. O que a elite rotula hoje como “agronegócio pujante” é, em sua essência, a reedição do latifúndio agroexportador que prioriza o mercado externo em detrimento da segurança alimentar do povo brasileiro.
    2. A Terra como Ativo Financeiro e Instrumento de Poder
      Diferente de um projeto de desenvolvimento nacional, a elite fundiária brasileira opera sob uma lógica de extração e especulação. A terra no Brasil não é apenas um meio de produção, mas um ativo financeiro protegido pelo Estado.
    • A Parcialidade do Estado: O alinhamento automático de setores do sindicalismo e do governo com essa elite institucionalizou a luta, muitas vezes desarmando os movimentos de base em troca de políticas compensatórias que não tocam na ferida da concentração.
    • O “Projeto de Ignorância”: A manutenção da violência no campo e o desmonte de órgãos de fiscalização não são falhas de gestão, mas componentes de um projeto que utiliza a força para garantir a grilagem e a exploração predatória de recursos naturais.
    1. Contradições Constitucionais e a Função Social
      A Constituição Federal de 1988, em seus artigos 184 e 186, estabelece que a propriedade rural deve cumprir uma função social. No entanto, a interpretação e execução dessas leis sofrem a paralisia imposta por uma bancada ruralista que sequestra o orçamento e a pauta legislativa.
    • O Impasse: Enquanto o latifúndio recebe subsídios bilionários e perdões de dívidas, a agricultura familiar — responsável por cerca de 70% dos alimentos na mesa do brasileiro — enfrenta a escassez de crédito e a criminalização de suas ocupações legítimas.
    1. Conclusão: A Necessidade da Ruptura Classista
      A análise em paralaxe revela que o Brasil não terá um projeto de nação soberano enquanto a terra estiver concentrada nas mãos de uma elite que, em sua essência, é “estrangeira” ao seu próprio povo. O desenvolvimento real exige a democratização do acesso à terra, a transição para a agroecologia e o fim da tutela do agronegócio sobre as instituições democráticas. A reforma agrária deixa de ser apenas uma pauta humanitária para se tornar uma necessidade estratégica de sobrevivência nacional.
      Referências Bibliográficas e Constitucionais
    • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Artigos 184 a 191 (Da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária).
    • ESTATUTO DA TERRA. Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964.
    • FERNANDES, Florestan. Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina. Rio de Janeiro: Zahar, 1973. (Fundamental para entender a elite reacionária).
    • PRADO JÚNIOR, Caio. A Questão Agrária no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1979.
    • STÉDILE, João Pedro (Org.). A Questão Agrária no Brasil: O debate tradicional. Expressão Popular.
    • IBGE. Censo Agropecuário 2017. (Dados sobre a concentração fundiária e desigualdade produtiva).
  • José Evangelista Rios da Silva

    Resumo: O presente artigo analisa a trajetória da política externa dos Estados Unidos em 2026, marcada pela radicalização do governo Donald Trump. Investiga-se a transição da “Doutrina Monroe” para uma prática de “vampirismo geopolítico”, exemplificada pelo sequestro de Nicolás Maduro, as ameaças de anexação da Groenlândia e o isolamento em Davos. O texto explora como a Resolução 47 do Senado e o Grande Boicote Americano sinalizam o esgotamento da capacidade de coerção imperial perante a ascensão de potências como China, Rússia e o bloco BRICS+.

    1. Introdução: A Arrogância como Eixo da “Demência Imperial”
      O ano de 2026 consolidou o que teóricos como Samir Amin classificaram como o “Império do Caos”. A gestão Trump abandonou a diplomacia tradicional em favor de uma “guerra simbólica” e chantagem emocional, onde a humilhação de aliados e a espoliação de inimigos tornaram-se o modus operandi. Esta “demência imperial” reflete o ressentimento de uma superpotência que perde a competição econômica pacífica e recorre ao poder militar e sanções unilaterais como última ratio de sobrevivência.
    2. O Caso Venezuela e a Secessão Institucional
      A operação de captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026 marcou o ápice da agressividade trumpista no Caribe. No entanto, “a bola pune” a arrogância:
    • Resolução 47 do Senado: Num movimento de autodefesa institucional, 17 senadores republicanos uniram-se à oposição para aprovar uma medida que anula os poderes de guerra presidenciais, expondo a fratura na cadeia de mando.
    • A Falha da Inteligência: A revelação russa sobre a infiltração da CIA e a subsequente identificação da “quinta coluna” em Caracas provaram que o império não detém mais o monopólio da informação.
    1. O “Grande Boicote” e o Isolamento em Davos
      A repulsa moral global transformou a “Marca USA” em um ativo tóxico.
    • A Huelga de Capital: CEOs das “Global 50” iniciaram um retiro silencioso de recursos dos EUA, movendo fábricas e investimentos para o eixo euroasiático devido à instabilidade gerada por decretos intempestivos.
    • O Ostracismo Internacional: Em Davos, a recusa de Trump em dialogar sobre a pauta climática e a ameaça de tarifas de 200% isolaram Washington, forçando aliados como a UE e países do Golfo a buscarem neutralidade estratégica.
    1. O Sul Global e a ONU: O Cordão Sanitário Diplomático
      Relatórios da ONU e resoluções do Conselho de Direitos Humanos expressam grave preocupação com o uso de Medidas Coercitivas Unilaterais.
    • Violação do Direito Internacional: O Relator Especial da ONU destacou que o bloqueio a Cuba e Venezuela impede a assistência humanitária e viola princípios de soberania e não intervenção.
    • A Opção Nuclear dos BRICS: A reunião de emergência de 2026 discutiu a desdolarização total das transações de petróleo, ameaçando os alicerces financeiros do sistema construído após a Segunda Guerra Mundial.
    1. Conclusão: O Fim do Século Americano
      A trajetória errante do egocêntrico chefe da Casa Branca acelerou um processo histórico inevitável: o nascimento de uma ordem onde nenhum império consegue dormir em paz sob a asfixia alheia. O “diabo” que tentou sequestrar a história descobriu que a dignidade dos povos e a resistência tecnológica (como o sistema BeiDou e as parcerias da Índia) criaram um horizonte impenetrável para a “Doutrina Monroe”.
      Referências Bibliográficas Relevantes
    • AMIN, Samir. The Empire of Chaos. New York: Monthly Review Press, 1992 (revisitado em 2026).
    • DOUHAN, Alena. Report on the negative impact of unilateral coercive measures on the enjoyment of human rights. UN Human Rights Council, 60th Session, 2025/2026.
    • FIORI, José Luís. O Império do Caos sob a Hegemonia Norte-Americana. São Paulo: A Terra é Redonda, 2026.
    • ONU. Resolution 78/135: Unilateral economic measures as a means of political and economic coercion against developing countries. General Assembly, 2025/2026.
    • WOLFF, Richard. The Economics of the Global Boycott and the Decline of the Dollar. 2026.
    • LULA DA SILVA, Luiz Inácio. This Hemisphere Belongs to All of Us. New York Times, 18/01/2026.
  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo: O presente artigo analisa a ruptura entre a produção lírico-musical de Edson Gomes e seu recente alinhamento ao pensamento reacionário. Investiga-se o fenômeno da “conversão ao sistema” por meio de uma perspectiva que confronta a denúncia social histórica do artista com a adesão a pautas da extrema-direita, configurando o que se denomina “estelionato simbólico” frente à classe trabalhadora.

    1. Introdução: O Vínculo Rompido
      Edson Gomes consolidou-se no imaginário nacional como o porta-voz dos marginalizados. Suas composições operavam como um diagnóstico preciso das chagas do capitalismo periférico brasileiro. No entanto, a guinada do artista para o campo do bolsonarismo e de ideologias ultraconservadoras não representa apenas uma mudança de opinião, mas uma contradição ontológica. O “capeta” — metáfora para o sistema opressor, racista e excludente que Gomes combateu por décadas — foi, ironicamente, abraçado pelo artista em sua fase madura.
    2. A Inversão dos Signos: Da Libertação ao Dogma
      A trajetória de Gomes exemplifica o risco da subjetividade messiânica. Ao migrar de um discurso de emancipação social para um moralismo dogmático, o artista operou uma substituição de eixos:
    • Eixo de Classe vs. Eixo Moral: Se antes o inimigo era o “Vampiro” (o capitalista, o estado repressor), hoje o inimigo é construído sob a ótica da guerra cultural (minorias, instituições democráticas, avanços sociais).
    • O Refúgio no Reacionarismo: A adesão ao discurso de figuras como Bolsonaro e Hitler (mencionados pela crítica de Olívia Santana como paralelos de autoritarismo) revela a busca por uma ordem rígida que nega a própria essência libertária do reggae.
    1. A Análise de Paralaxe e a Postura de Olívia Santana
      A deputada estadual Olívia Santana, ao classificar Gomes como reacionário, exerce o papel de preservação da memória coletiva. Sob a lente da paralaxe, a “posição correta” da parlamentar identifica que:
    • A obra é autônoma: As canções continuam pertencendo à luta do povo, independentemente da decadência moral de seu criador.
    • O autor é contraditório: O Edson Gomes atual é um sequestrador do Edson Gomes histórico.
    1. O Caráter Constitucional e a Ética da Representação
      A contradição de Gomes fere a ética da representação popular. Enquanto a Constituição Federal de 1988 preza, em seus fundamentos (Art. 1º e 3º), pela dignidade da pessoa humana, pelo pluralismo político e pela erradicação da marginalização, o discurso reacionário abraçado pelo cantor flerta com a negação desses valores, aproximando-se de estéticas totalitárias que historicamente oprimiram a população negra e pobre — a base fiel do público do artista.
    2. Conclusão: O Cadáver Simbólico do Ídolo
      Conclui-se que Edson Gomes atravessa um processo de “suicídio artístico-ideológico”. Ao validar o sistema que outrora denunciou como diabólico, ele torna-se um componente da engrenagem de opressão. A advertência de Olívia Santana é um chamado à lucidez: é preciso separar a poesia que serviu de combustível para a resistência do indivíduo que, hoje, fornece lenha para o fogo do retrocesso.
      Referências Bibliográficas
    • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Centro Gráfico, 1988.
    • FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. (Sobre a psicologia do colonizado e a traição das elites).
    • GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. (Sobre o papel dos intelectuais e a hegemonia cultural).
    • HALL, Stuart. Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003. (Sobre a construção da identidade negra e a cultura popular).
    • SANTANA, Olívia. Declarações públicas em redes sociais sobre o reacionarismo na arte contemporânea. Bahia, 2024.
    • ZIZEK, Slavoj. Visão em Paralaxe. São Paulo: Boitempo, 2008.
  • Por José Evangelista Rios da Silva
    Resumo: Este artigo analisa o reconhecimento de Débora Garofalo como a professora mais influente do mundo em 2026, utilizando como arcabouço teórico a obra de Gueórgui Plekhanov, “O Papel do Indivíduo na História”. Busca-se compreender como a iniciativa individual de Garofalo — a robótica com sucata em contextos de vulnerabilidade — articula-se com as necessidades históricas da classe trabalhadora brasileira e as contradições do sistema capitalista na periferia.

    1. Introdução
      A eleição de uma educadora da rede pública brasileira pela Varkey Foundation como Global Teacher Influencer transcende o mérito pessoal. Do ponto de vista da sociologia da educação marxista, tal evento deve ser lido como o encontro entre uma subjetividade ativa e as tendências objetivas do desenvolvimento social. O presente trabalho investiga como a figura individual do educador se torna um catalisador de transformações quando suas ações coincidem com o “sentido da história” e com as demandas das forças produtivas subalternas.
    2. O Indivíduo como Expressão da Necessidade Histórica
      Plekhanov (1898) argumenta que um indivíduo só “faz história” quando possui talentos que respondem às necessidades sociais de sua época. No caso de Garofalo, o “talento” não é uma abstração genial, mas a capacidade de ler a escassez material da periferia (a sucata) e transformá-la em capital cultural tecnológico.

    “A influência do indivíduo depende do seu talento, mas o próprio talento é um produto social; a esfera da atividade individual é determinada pela organização da sociedade e pelo estado de suas forças produtivas.” (Plekhanov, G. V.)

    A “influência” reconhecida globalmente é, portanto, a manifestação de uma necessidade latente: a urgência da alfabetização digital e do domínio tecnológico pela classe trabalhadora para além do fetiche da mercadoria.

    1. A Robótica com Sucata e a Superação da Alienação
      A proposta pedagógica premiada utiliza resíduos sólidos para o ensino de programação e robótica. Sob a ótica da Pedagogia Histórico-Crítica, este método representa a superação da alienação técnica. Ao desmistificar o hardware e o software a partir do refugo do consumo, a práxis de Garofalo devolve ao estudante o controle sobre o objeto técnico, aproximando a escola da realidade produtiva sem se curvar inteiramente à lógica do mercado.
    2. A Dialética do Reconhecimento: Entre o Indivíduo e o Estado
      A análise em paralaxe revela uma contradição: enquanto o indivíduo é celebrado internacionalmente, as condições estruturais da educação pública brasileira (salários, infraestrutura, precarização) permanecem sob ataque neoliberal. Aqui, Plekhanov nos ajuda a entender que o indivíduo “influente” pode ser usado pela narrativa hegemônica para esconder a falência do sistema, ou pode ser o símbolo que evidencia o potencial criativo das massas impedido de florescer pela estrutura de classes.
    3. Considerações Finais
      A eleição de Débora Garofalo corrobora a tese de que o papel do indivíduo é decisivo quando este se coloca como intérprete das aspirações de sua classe. O prêmio não apaga a luta coletiva; pelo contrário, destaca que a inovação pedagógica na periferia é um ato de resistência política. A “influência” de Garofalo é a voz de uma necessidade histórica que exige a democratização do saber científico e técnico.
      Referências Bibliográficas
    • DUARTE, Newton. Vygotsky e o “Aprender a Aprender”: Crítica às apropriações neoliberais e pós-modernas da teoria vigotskiana. Campinas: Autores Associados, 2001.
    • PLEKHANOV, Gueórgui V. O Papel do Indivíduo na História. São Paulo: Expressão Popular, 2005.
    • SAVIANI, Dermeval. Pedagogia Histórico-Crítica: Primeiras aproximações. 11. ed. Campinas: Autores Associados, 2011.
    • SHULGIN, Evgeni. Marxismo e Educação. Lisboa: Editorial Caminho, 1989.
    • VARKEY FOUNDATION. Global Teacher Prize 2026: The impact of teacher influencers on public policy. London, 2026.
  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo
    O presente artigo analisa o processo de desintegração ideológica de quadros políticos oriundos do movimento comunista brasileiro que, ao serem absorvidos pela superestrutura institucional burguesa, abandonam a centralidade da luta de classes em favor de um nacionalismo pragmático e de pautas fragmentadas. Investiga-se como a ascensão econômica e o prestígio parlamentar atuam como catalisadores para o “carreirismo perspectivo”, resultando na negação do projeto coletivo e revolucionário em prol de um projeto solista de poder.

    1. Introdução: A Superestrutura como Espaço de Cooptação
      A luta de classes não se encerra nas fábricas; ela se estende à batalha das ideias. Conforme as resoluções históricas do PCdoB, o Partido é o instrumento de vanguarda que exige do militante a abnegação e a subordinação do “eu” ao “nós”. Entretanto, a imersão prolongada no institucionalismo liberal-burguês cria uma zona de atrito onde a ética revolucionária é testada pela sedução do status e da estabilidade financeira, transformando o “quadro” em “político de carreira”.
    2. O Carreirismo Perspectivo e o Fetiche da Ascensão
      O fenômeno descrito como “carreirismo perspectivo” ocorre quando o horizonte do militante deixa de ser a ruptura com o sistema e passa a ser a ocupação de espaços dentro dele.
    • O Salto Material: A discrepância entre o ganho de um trabalhador de base (como o exemplo das 75 URVs) e os subsídios parlamentares (6 mil URVs) gera um descolamento da realidade social.
    • A Captulação Psicológica: O quadro passa a acreditar que sua relevância individual é superior à do Partido. Esse “solismo” é a antítese do centralismo democrático, onde a vontade individual deve se curvar às decisões coletivas após o debate interno.
    1. A Substituição da Luta de Classes por Pautas Isoladas
      A análise do vídeo de Aldo Rebelo demonstra a substituição do projeto sistêmico pela “defesa de pontos isolados”. Ao negar a atualidade da luta de classes, o sujeito capitulado adota um nacionalismo que não questiona a propriedade privada dos meios de produção ou o papel do latifúndio (agronegócio).
      A democracia liberal passa a ser vista como um “valor universal” e absoluto, e não como uma forma histórica de dominação de classe. As pautas como meio ambiente e questões de gênero são, então, tratadas de forma estanque, desprovidas da centralidade no trabalho, servindo mais como moedas de troca no mercado eleitoral do que como alavancas de transformação social.
    2. Conclusão: O Desafio da Formação Continuada
      A educação do militante, conforme as diretrizes de formação do PCdoB, deve ser um processo permanente de “vigilância revolucionária”. A capitulação de figuras históricas serve como um alerta: sem a fundamentação teórica sólida e o vínculo orgânico com as massas trabalhadoras, o brilho do institucionalismo burguês acabará por ofuscar o compromisso com o socialismo. A “cura” para o vício burguês do carreirismo reside no retorno às bases e na intransigência com os princípios do centralismo democrático.
      Referências Bibliográficas e Documentais Recomendadas
    • PCdoB. Estatuto do Partido Comunista do Brasil. (Especialmente os capítulos que tratam do Centralismo Democrático e dos deveres do militante).
    • PCdoB. Programa Socialista para o Brasil: Resoluções do 15º Congresso. (Brasília, 2021).
    • MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O Manifesto do Partido Comunista. (Referência fundamental para a compreensão da luta de classes).
    • LENIN, V.I. Que Fazer? (Sobre a importância da vanguarda e a luta contra o economicismo e o oportunismo).
    • GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. (Sobre o papel dos intelectuais e a hegemonia na superestrutura).
    • LOSURDO, Domenico. A Luta de Classes: Uma História Política e Filosófica. (Para a análise da fragmentação das lutas sociais na contemporaneidade).
    • MÉSZÁROS, István. Para Além do Capital. (Sobre a necessidade de um projeto sistêmico que supere a lógica do capital).
    • CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (1988). (Para análise do choque entre a institucionalidade vigente e as aspirações de transformação radical).
  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo: O presente artigo analisa a simbiose entre a Teologia do Domínio e as instituições de segurança pública no Brasil. Investiga-se como o projeto de ocupação de poder por setores neopentecostais utiliza as forças policiais como braço de repressão seletiva e legitimação moral, fenômeno que se intensifica em 2026. Através da lente da paralaxe, observa-se que o que se apresenta como assistência espiritual opera, na verdade, como uma reconfiguração do Estado Laico em direção a uma governança teocrática-militarizada.

    1. Introdução: O Cenário de 2026 e a “Política do Medo”
      No atual ano eleitoral, a segurança pública consolidou-se como o principal preditor de voto. O debate, contudo, não se restringe a índices de criminalidade, mas à gestão do medo através de narrativas de “Guerra Santa”. O dominionismo — doutrina que prega a soberania cristã sobre todas as instituições — encontra nas polícias (PM, PC, PF) e nas Forças Armadas o terreno fértil para a sua manifestação mais pragmática: o controle territorial e social.
    2. A Infiltração Institucional: O Caso UFP e Capelanias
      A atuação de programas como a Universal nas Forças Policiais (UFP) transcende o apoio psicossocial. Em 2026, observa-se que a presença de líderes religiosos dentro dos quartéis e academias de polícia funciona como um mecanismo de doutrinação subjetiva.
    • A “Batalha do Bem contra o Mal”: Ao substituir o código de ética policial pela escatologia bíblica, o agente público passa a ver o cidadão periférico não como um sujeito de direitos, mas como um “adversário espiritual”.
    • Instrumentalização do Estado: A utilização de recursos públicos, viaturas e horário de expediente para cultos denominacionais fere o Art. 19, I, da Constituição Federal, que veda à União e aos Estados estabelecer cultos religiosos ou manter com eles relações de dependência ou aliança.
    1. Repressão Seletiva e o “Pecador Ungido”
      A análise em paralaxe revela que a moralidade dominionista é elástica. Líderes políticos e oficiais alinhados ao projeto são blindados pela narrativa do “ungido de Deus”, cujas falhas são relevadas em nome de uma “missão maior”. Em contrapartida, a repressão é direcionada seletivamente:
    • Contra a Diversidade: Aumento de operações policiais que resultam na desestruturação de terreiros de matriz africana, muitas vezes sob a omissão deliberada ou conivência de agentes convertidos ao narcopentecostalismo.
    • Controle Territorial: A fusão entre milícia e religião utiliza a força policial para garantir monopólios comerciais e eleitorais em comunidades, sob o pretexto de instaurar uma “ordem cristã”.
    1. O Impacto nas Eleições: A Teocracia pelo Voto
      Em 2026, a “Bancada do Fuzil” e a “Bancada da Bíblia” operam de forma unificada. O uso da estrutura policial para campanhas eleitorais — através da imagem da ordem e da proteção divina — cria um desequilíbrio no pleito. O voto deixa de ser uma escolha de projeto de país e passa a ser um ato de fé, onde questionar o candidato “escolhido” é equiparado a questionar a vontade de Deus.
      Referências Bibliográficas e Constitucionais
      Referências Constitucionais
    • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Art. 1º (Estado Democrático de Direito); Art. 5º, VI (Liberdade de Crença e Laicidade); Art. 19, I (Vedação de aliança entre Estado e Igreja); Art. 144 (Dever da Segurança Pública).
      Referências Acadêmicas e de Pesquisa
    • CUNHA, Christina Vital. A Fé e o Fuzil: crime e religião no Brasil do século XXI. Rio de Janeiro: Pallas, 2021. (Análise fundamental sobre a simbiose entre neopentecostalismo e o crime organizado/milícias).
    • FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. A captura simbólica das polícias brasileiras pelos discursos religiosos-conservadores. Relatório Fonte Segura, Edição 308, 2025.
    • ALMEIDA, Ronaldo de. A Igreja Universal e seus demônios. São Paulo: Terceiro Nome, 2009. (Estudo sobre as táticas de expansão de poder da IURD).
    • OLLIVEIRA, Cecília. “Segurança pública dominará 2026 e fará eleição virar disputa de poder sobre quem mata e morre no Brasil”. The Intercept Brasil, 23 de jan. de 2026.
    • PY, Fábio. Pandemia Cristã: Reflexões sobre o Dominionismo. 2020. (Sobre a ocupação dos “sete montes” e a política brasileira).

  • .Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo: Este artigo analisa a discrepância entre a robustez do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e a baixa valorização do salário mínimo em comparação com pares latino-americanos como México e Costa Rica. Através de uma abordagem de paralaxe, investiga-se como a herança do arrocho salarial da ditadura militar e a institucionalização das lutas sindicais contribuíram para um cenário de custo de vida opressor em um dos maiores produtores de alimentos do mundo.

    1. Introdução
      O Brasil ocupa a posição de maior economia da América Latina, contudo, quando o objeto de análise é o poder de compra real do salário mínimo, o país apresenta um atraso estrutural. A problemática central reside no fato de que o crescimento econômico não se traduziu, historicamente, em bem-estar social equânime, resultando em uma das distribuições de renda mais desiguais do globo.
    2. A Perspetiva Histórica: O Legado do Arrocho
      Durante o período da ditadura militar (1964-1985), o salário mínimo foi utilizado como variável de ajuste macroeconômico. A política de intervenção nos sindicatos e a repressão aos movimentos de classe permitiram que o capital aumentasse a produtividade sem o correspondente repasse salarial.
    • O “Milagre” e a Miséria: O crescimento do PIB na década de 70 ocorreu sob um regime de “arrocho”, onde a inflação era subestimada para evitar reajustes reais, consolidando uma cultura política de baixa remuneração da força de trabalho que perdura no imaginário das elites brasileiras.
    1. Análise Comparativa e Custo de Vida
      Diferente da Costa Rica, que direcionou investimentos para o bem-estar social universal (CCSS), o Brasil fragmentou o seu suporte estatal.
    • A “Inflação dos Pobres”: Enquanto o agronegócio brasileiro bate recordes de exportação, a dolarização dos insumos e a falta de estoques reguladores elevam o custo da cesta básica acima da capacidade do salário mínimo.
    • O Caso Mexicano: Entre 2018 e 2025, o México implementou uma política de valorização real agressiva, demonstrando que o aumento do mínimo pode coexistir com estabilidade macroeconômica, superando o Brasil em poder de compra em dólares PPA (Paridade de Poder de Compra).
    1. O Movimento Sindical: Entre a Institucionalização e a Luta Classista
      A transição da CUT para a criação de novas centrais, como a CTB, reflete o esgotamento de um modelo de sindicalismo que se tornou excessivamente institucionalizado. A análise em paralaxe sugere que o “alinhamento automático” com governos, ainda que progressistas, muitas vezes arrefeceu a pressão necessária para uma reforma salarial profunda, limitando os ganhos às margens da inflação oficial.
    2. Fundamentação Constitucional
      A Constituição Federal de 1988, no seu Artigo 7º, inciso IV, estabelece que o salário mínimo deve ser capaz de atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família (moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social). O descumprimento deste preceito constitucional é uma evidência da “desgraça” social mencionada, onde o custo de vida real suplanta o valor nominal estipulado pelo Estado.
    3. Conclusão
      O atraso brasileiro não é um erro de percurso, mas uma construção política. A superação desta condição exige uma ruptura com a lógica da “mão de obra barata” e a reconstrução de políticas de soberania alimentar. O Brasil precisa deixar de ser um “celeiro do mundo” para ser o “celeiro do seu próprio povo”.
      Referências Bibliográficas e Constitucionais
    • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal.
    • DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Anuário do Sistema Público de Trabalho. São Paulo, 2024.
    • FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2023.
    • SINGER, André. O Lulismo em Crise: Um quebra-cabeça do período Dilma (2011-2016). São Paulo: Companhia das Letras, 2018. (Para análise da institucionalização das lutas).
    • CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). Balanço Preliminar das Economias da América Latina e do Caribe. Santiago, 2024/2025.
    • ZIZEK, Slavoj. Em Defesa das Causas Perdidas. São Paulo: Boitempo, 2011. (Referência teórica para o método da Paralaxe).
  • Por José Evangelista da Silva

    Resumo: O artigo analisa o cerco multifacetado contra a administração Trump em janeiro de 2026. Investiga-se a secessão institucional no Senado dos EUA, o ultimato militar e econômico da China, e o boicote de aliados históricos no Oriente Médio e na Europa, que juntos formam um “cordão sanitário” contra o unilateralismo agressivo.

    1. A Resistência Interna: A Secessão Institucional
      Pela primeira vez em décadas, o “Estado Profundo” e o Legislativo agiram para desarmar o Executivo.
    • O Senado e a Resolução 47: A união de 17 senadores republicanos com a oposição demitirá os poderes de emergência de Trump, impedindo o financiamento discricionário de novas invasões.
    • A Desobediência do Pentágono: A ativação de protocolos de “Continuidade do Governo” sinaliza que os generais não aceitarão ordens que violem a legalidade internacional ou que coloquem em risco a existência da própria força armada em aventuras como a do Irã.
    1. A Resistência Econômica: O Boicote das Massas e dos Mercados
      O “império da mentira” chocou-se contra o bolso do mundo.
    • O Grande Boicote Americano: A repulsa moral de consumidores na Europa e Ásia, somada à greve de estibadores que se negam a operar navios dos EUA, está asfixiando a logística norte-americana.
    • A Fuga do Capital: Grandes conglomerados e investidores estão retirando ativos dos EUA, temendo a volatilidade de um líder que ameaça aliados com tarifas de 200%. O mercado decidiu que a “estabilidade” é mais lucrativa que a “hegemonia pelo caos”.
    1. A Resistência Geopolítica: O Ultimato Multipolar
      O Sul Global e as potências eurasianas traçaram a linha vermelha.
    • A “Última Advertência” da China: Pequim abandonou a retórica moderada e exigiu a libertação imediata de Maduro, vinculando a segurança regional da América Latina aos seus interesses estratégicos vitais.
    • O “Não” do Golfo: A recusa dos Emirados Árabes, Arábia Saudita e Catar em permitir o uso de suas bases contra o Irã retirou o “chão” necessário para a aviação de Trump operar.
    • A Solidariedade Cubana e Venezuelana: A resistência no terreno, como visto no fracasso da Delta Force em Caracas e na resiliência histórica de Cuba, provou que “o terrorismo não tem bandeira” e que povos conscientes não se ajoelham.
      Conclusão: “A Bola Pune” a Arrogância Terminal
      Quem vai parar o genocida? A própria realidade do século XXI. O mundo multipolar não é mais uma promessa, é um fato consumado que retirou dos EUA o monopólio da força e do dinheiro. Em 31 de janeiro de 2026, o “diabo” de Washington descobriu que pode ter as bombas, mas não tem mais os portos, as bases, os mercados ou o silêncio dos povos. O gigante de pés de barro está desmoronando sob o peso de sua própria perfídia.
      📚 Referências de Ruína e Resistência (2026)
    • OPERA MUNDI. Aliados dos EUA no Oriente Médio negam ajuda contra o Irã. 27/01/2026.
    • MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DA CHINA. Ultimato à Casa Branca. 27/01/2026.
    • THANH NOTICIAS. A Crise Constitucional e a Resolução 47. 27/01/2026.
    • WOLFF, Richard. The Economics of the Global Boycott. 2026.
    • LULA DA SILVA, Luiz Inácio. Este hemisfério pertence a todos nós. NYT, 18/01/2026.