• Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo
    Este artigo analisa a formação da identidade brasileira sob a ótica da “paralaxe”, confrontando a violência biopolítica da colonização com a capacidade de resiliência cultural das classes subalternas. Investiga-se como o “moinho de gastar gente” gerou uma subjetividade única, capaz de transformar a exclusão sistêmica em tecnologias de sobrevivência e protagonismo histórico.

    1. A Fornalha da Ninguendade 🧬
      O Brasil não se constituiu como uma extensão da Europa, mas como uma “Nova Roma” tropical, edificada sobre o despojo de identidades originais. Darcy Ribeiro define esse processo como “ninguendade”: o brasileiro nasce do esgotamento do indígena, do africano e do europeu pobre, emergindo como uma categoria nova e deserdada. O DNA brasileiro é o registro pericial dessa forja, evidenciando uma miscigenação marcada pela assimetria de poder e pela violência fundacional.
    2. O Aporte Autoritário e a Batalha das Narrativas 🛡️
      A estrutura de classes no Brasil herdou o caráter escravocrata da “elite do atraso”, reforçada por fluxos migratórios de grupos ideologicamente autoritários ao longo dos séculos XIX e XX. Esse bloco histórico opera uma guerra cultural permanente, utilizando o Partido da Imprensa Golpista (PIG) e o fundamentalismo religioso para “adestrar” a força de trabalho. O objetivo é converter o potencial revolucionário da massa em resignação, rotulando a cultura popular como marginal para justificar a exploração.
    3. O Samba como Práxis e Profecia 🥁
      Contra a “cultura enlatada” do império, o povo brasileiro ressignificou o sincretismo. O samba, especialmente em momentos de repressão, funcionou como um quilombo sonoro. Canções como as de Martinho da Vila não apenas celebram a vida, mas operam como uma pedagogia da esperança. A alegria, aqui, não é alienação, mas uma tática de preservação da saúde mental e da unidade de classe, permitindo que o trabalhador se reconheça como sujeito da sua própria história.
    4. Conclusão: A Formação Política como Escudo 🚩
      A superação da condição de explorado exige que o “drible” cultural seja acompanhado pela consciência política. A formação ideológica contínua é o único antídoto contra a cooptação das bandeiras de luta (como a redução da jornada 6×1). O intelectual orgânico, forjado na labuta e no estudo, é quem impede que a essência da luta esmaeça sob as pressões da elite.
      Referências Bibliográficas
    • RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
    • SOUZA, Jessé. A Elite do Atraso: Da Escravidão à Lava Jato. Rio de Janeiro: Leya, 2017.
    • MOURA, Clóvis. Dialética Radical do Brasil Negro. São Paulo: Anita Garibaldi, 2014.
    • GRAMSCI, Antonio. Os Intelectuais e a Organização da Cultura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982.
    • FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo
    O presente artigo analisa as contribuições científicas da União Soviética para a compreensão da estrutura interna da Terra, centrando-se no experimento do Poço Superprofundo de Kola (SG-3). Através de uma perspectiva geográfica e geofísica, discute-se como a superação dos limites técnicos de perfuração na crosta continental desafiou modelos teóricos estabelecidos e forneceu dados empíricos fundamentais para a tectônica de placas e a paleoclimatologia. O estudo traça um paralelo entre as perfurações continentais e as expedições polares, destacando o legado duradouro dessas iniciativas para a ciência moderna.

    1. Introdução
      A exploração do “espaço interior” da Terra representou, durante o século XX, um desafio científico tão complexo quanto a corrida espacial. No ápice da disputa tecnológica global, a União Soviética iniciou em 1970, na Península de Kola, o projeto SG-3. Este empreendimento não foi apenas uma demonstração de poderio industrial, mas uma necessidade epistemológica de validar modelos sismológicos e petrológicos que, até então, baseavam-se em inferências indiretas.
    2. A Desconstrução do Modelo Sismológico de Camadas
      A maior contribuição de Kola para a geografia física foi o questionamento da “Descontinuidade de Conrad”. Acreditava-se que a crosta continental possuía uma transição nítida entre uma camada granítica superior e uma basáltica inferior.
      A perfuração soviética, ao atingir os 12.262 metros, demonstrou que o aumento na velocidade das ondas sísmicas — antes interpretado como mudança de mineralogia (granito para basalto) — era, na verdade, o resultado de mudanças metamórficas na rocha sob condições extremas de pressão e calor. Essa descoberta redefiniu a interpretação global de dados sismológicos, permitindo uma leitura mais precisa da reologia da crosta.
    3. Hidrodinâmica e Exobiologia em Profundidade
      O legado soviético também alterou a compreensão sobre a circulação de fluidos na litosfera. Contrariando a tese de que a crosta profunda seria “seca” devido à pressão litostática, o projeto Kola revelou a presença de água mineralizada e gases (hélio, hidrogênio, nitrogênio e metano) em fraturas profundas.
      A descoberta de microfósseis de plâncton unicelular a 6.000 metros de profundidade, preservados em condições extremas, expandiu os horizontes da exobiologia e da biogeoquímica, sugerindo que a biosfera terrestre possui limites muito mais profundos do que os anteriormente cartografados.
    4. Paralaxe Geográfica: Do Escudo Báltico aos Extremos Polares
      Ao comparar o projeto de Kola com as perfurações nas calotas polares (como a Estação Vostok na Antártica, também de origem soviética), observa-se uma complementaridade científica:
    • Kola (Crosta Continental): Focou na mecânica das rochas e no fluxo térmico interno.
    • Vostok/Ártico (Criosfera): Focou no registro paleoclimático e na interação atmosfera-gelo.
      Ambos os campos de estudo convergem para a compreensão da Isostasia — o equilíbrio gravitacional da crosta. O conhecimento técnico desenvolvido em Kola para lidar com a plasticidade das rochas a altas temperaturas (180°C) serve hoje como base para a engenharia de perfuração em ambientes polares de alta pressão, onde o gelo se comporta de forma análoga a um fluido viscoso.
    1. O Legado Tecnológico e a Geopolítica da Ciência
      A contribuição soviética reside na institucionalização da ciência de “big data” geológico. O desenvolvimento de ligas metálicas resistentes e sistemas de monitoramento em tempo real no fundo do poço permitiu que a Rússia, e posteriormente a comunidade internacional, avançasse na exploração de recursos em zonas abissais. O “legado de Kola” é visível hoje nos programas de perfuração oceânica (IODP), que buscam finalmente atingir a descontinuidade de Mohorovičić (o limite crosta-manto).
    2. Conclusão
      O Poço Superprofundo de Kola permanece como o monumento mais profundo da curiosidade humana. A ciência soviética, ao “romper a casca do ovo” da Terra, deixou um legado que transcende ideologias: a prova empírica de que o planeta é um sistema dinâmico, heterogêneo e ainda amplamente desconhecido. Para a geografia contemporânea, Kola é o lembrete de que a superfície que habitamos é apenas a interface de processos termodinâmicos profundos que regem a vida e a segurança tectônica da humanidade.
      Referências Bibliográficas Recomendadas
    • KOZLOVSKY, Ye. A. (Ed.). The Superdeep Well of the Kola Peninsula. Berlin: Springer-Verlag, 1987. (A obra definitiva sobre os dados técnicos do projeto).
    • ALLEGRE, Claude. The Behavior of the Earth: Continental and Oceanic Tectonics. Harvard University Press, 1988.
    • GUBERMAN, D. M. Kola Superdeep: Results and Perspectives. In: Deep Drilling in Crystalline Terranes. Springer, 1991.
    • KEAREY, P.; KLEPEIS, K. A.; VINE, F. J. Global Tectonics. 3. ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2009.
    • ZOBACK, M. D. Reservoir Geomechanics. Cambridge University Press, 2007. (Para entender a física das rochas sob pressão, derivada dos aprendizados de Kola).
  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo:

    O presente artigo analisa a formação da identidade brasileira a partir de uma perspectiva de paralaxe, confrontando os dados genômicos do projeto “DNA do Brasil” com a tese sociológica de Darcy Ribeiro. Investiga-se como a violência colonial fundacional foi sedimentada por fluxos migratórios autoritários (confederados e fascistas) e como a classe trabalhadora desenvolveu uma tecnologia de resistência baseada na paródia e na ridicularização dos algozes.

    1. A Gênese na Fornalha: Biopolítica e o “Moinho de Gastar Gente” 🧬
      A essência do brasileiro reside no que Darcy Ribeiro define como a “ninguendade”. O Brasil não foi uma transplantação da Europa, mas uma criação original forjada em um “moinho de gastar gente”. Os dados do projeto “DNA do Brasil” funcionam como prova pericial dessa fornalha: a assimetria entre o cromossomo Y (71% europeu) e o DNA mitocondrial (77% não-branco) revela que o país nasceu do controle biopolítico e da violência sexual contra mulheres indígenas e africanas. O brasileiro surge, portanto, como um “novo povo”, deserdado de suas origens puras para se tornar uma síntese resiliente.
    2. Sedimentação do Ódio: O Transplante das Ideologias Derrotadas 🛡️
      A estrutura de classes brasileira, herdeira do escravismo ibérico, foi reforçada por camadas migratórias de grupos derrotados em conflitos externos. A chegada de confederados norte-americanos no século XIX e de quadros fascistas europeus no século XX não foi um acidente, mas um aporte ideológico que sofisticou o aparato de repressão e a “guerra de narrativas”. Esse sistema busca, através do fundamentalismo religioso e de meios de comunicação hegemônicos, amansar a alma popular e classificar o que é “cultura aceitável”, rotulando a resistência como marginalidade.
    3. A Dialética do Drible: Do Chão de Fábrica ao Carnaval 🎭
      Apesar do massacre sistêmico, o povo brasileiro desenvolveu uma infra-política do riso. A “camuflagem” mencionada por lideranças populares não é passividade, mas uma forma de deslegitimar o poder. O Carnaval e as paródias no trabalho pesado funcionam como válvulas de escape onde se denuncia a opressão. Quando a situação objetiva exige, essa “festividade” se converte em unidade de combate — como visto na Revolta dos Malês e nas lutas sindicais contemporâneas —, atraindo a admiração global por sua capacidade de transmutar sofrimento em beleza e luta.
      Referências Bibliográficas
    • RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
    • NUNES, K. et al. Admixture’s impact on Brazilian population evolution and health. Science, 2025.
    • SOUZA, Jessé. A Elite do Atraso: Da Escravidão à Lava Jato. Rio de Janeiro: Leya, 2017.
    • MOURA, Clóvis. Dialética Radical do Brasil Negro. São Paulo: Anita Garibaldi, 2014.
    • DE MASI, Domenico. O Ócio Criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.
    • A Ninguendade na Prática: Podemos aprofundar em como o conceito de Darcy Ribeiro explica a falta de identidade que a elite tenta preencher com o fascismo europeu.
    • A Guerra de Narrativas Hoje: Como as redes sociais e a mídia moderna tentam “amansar” o drible do trabalhador brasileiro.
    • Análise de Lutas Históricas: Escolher um dos movimentos (como os Malês ou a Greve de 1917) para aplicar essa análise de paralaxe.
  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo: O presente artigo analisa a trajetória da gestão urbana em Salvador, Bahia, sob a ótica do “empresariamento urbano” e da “acumulação por despossessão”. Investiga-se o nexo causal entre a alienação de ativos ambientais públicos (áreas verdes) e a cristalização de indicadores de precariedade social, como o desemprego estrutural e a violência endêmica. Através de uma análise em parallaxe, confronta-se o modelo de City Marketing com a realidade da fragmentação socioespacial e a captura do Estado por elites locais.

    1. Introdução
      A gestão das metrópoles brasileiras, e de Salvador em particular, tem sido marcada por uma transição do planejamento redistributivo para um modelo de “gestão de balcão”. Este fenômeno, intensificado a partir da década de 1980, caracteriza-se pela submissão do ordenamento territorial aos interesses da especulação imobiliária. O objetivo deste estudo é demonstrar que a crise de segurança e empregabilidade na capital baiana não é um subproduto acidental, mas o resultado de um projeto de governança que privilegia a alienação do patrimônio público em detrimento da função social da cidade.
    2. O Modelo de Desafetação e a Violação Constitucional
      A prática sistemática de desafetação de áreas verdes — transformando bens de uso comum do povo em bens dominicais para posterior leilão — confronta o arcabouço jurídico da República.
      2.1. O Princípio da Moralidade e a Impessoalidade
      O Art. 37 da Constituição Federal de 1988 estabelece a moralidade e a impessoalidade como pilares da Administração Pública. A recorrência de arrematantes de terrenos públicos vinculados ao financiamento de grupos políticos dominantes sugere uma captura institucional. A “gestão por adoçamento”, onde decisões estratégicas são tomadas em esferas privadas (metonimicamente representadas pela “Turma das Ilhas”), esvazia o papel fiscalizador do Poder Legislativo.
      2.2. O Meio Ambiente como Bem Coletivo
      A alienação de fragmentos de Mata Atlântica e encostas, sob o argumento de serem áreas “inservíveis”, agride o Art. 225 da CF/88. A ausência de Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto de Vizinhança (RIV) em processos de desafetação em bloco viola o direito à cidade sustentável, conforme preconizado pelo Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01).
    3. A Parallaxe da Violência e do Desemprego
      Enquanto a narrativa oficial utiliza indicadores lúdico-culturais e o turismo de eventos para forjar uma imagem de prosperidade, a “visão B” da parallaxe revela uma metrópole estagnada.
    • Dinamismo Econômico Decadente: Salvador apresenta a maior taxa de desocupação entre as capitais (14,1% em 2023-2024), fruto de uma especialização precoce no setor de serviços de baixa qualificação e no entretenimento sazonal.
    • Violência Funcional: A segregação espacial, reforçada pela venda de áreas que deveriam servir ao lazer e à convivência na periferia, cria “territórios de exceção”. A violência recorde é o sintoma de uma cidade “repartida”, onde o poder público municipal se retira da provisão social para atuar apenas na regulação do mercado de terras.
    1. O Papel do Legislativo e a Instrumentalização dos Bairros
      A Câmara Municipal, ao abdicar de sua autonomia e homologar “pacotes prontos” de alienação de terras, reforça um modelo de clientelismo moderno. A estrutura das “Prefeituras-Bairro” atua como um mecanismo de controle social e captação de apoio político, assemelhando-se a uma atualização tecnológica do coronelismo, mantendo a população dependente de intervenções cosméticas enquanto o solo urbano de alto valor é transferido para o “feudo” imobiliário.
    2. Conclusão
      A superação da crise sistêmica de Salvador exige o resgate do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) como instrumento de justiça social, e não de mercado. É imperativo que os órgãos de controle (Ministério Público e Tribunais de Contas) atuem na nulidade de processos de desafetação que ignorem a função social da propriedade. A transformação de Salvador em uma cidade habitável depende da interrupção do ciclo de liquidação de seus ativos ambientais e da implementação de uma economia de urbanização inclusiva.
      Referências Bibliográficas e Constitucionais
      Legislação:
    • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal.
    • BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001 (Estatuto da Cidade). Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal.
    • SALVADOR. Lei Orgânica do Município de Salvador.
      Doutrina e Relatórios:
    • ALFAYA, Javier. Salvador de Bahia: la ciudad y sus territorios. Sevilla: Universidad de Sevilla, 2000.
    • HARVEY, David. A Produção Capitalista do Espaço. São Paulo: Annablume, 2005.
    • IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Indicadores de Desocupação e Rendimento. 2023-2024.
    • OBSERVATÓRIO DAS METRÓPOLES (Núcleo Salvador). Empreendedorismo urbano em Salvador: problemas e limites como estratégia de desenvolvimento socioespacial. Salvador: UFBA, 2024.
    • SANTANA, Olívia. Salvador: a cidade e seus desafios. Salvador: Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, 2013.
  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo: O presente artigo analisa o pronunciamento televisivo de Taylor Swift em 12 de fevereiro de 2026, no qual classifica Donald Trump como “não apto para o cargo”. Investiga-se a denúncia de “rituais de lealdade” e a fratura da unidade nacional sob a ótica da secessão institucional norte-americana. O texto explora como a desintegração do soft power cultural antecipa o colapso do contrato social em cenários de polarização extrema e autoritarismo sistêmico.

    1. Introdução: A Superestrutura em Colapso
      Na teoria da práxis classista, a cultura atua frequentemente como a primeira linha de defesa ou o último sinal de alerta de uma sociedade em decomposição. O pronunciamento de Swift, marcado por uma “urgência somática”, sinaliza que o conflito de classes e a fragmentação política nos EUA atingiram a célula familiar — a base da reprodução social. Quando ícones do mainstream denunciam “decisões horríveis” impostas pelo Estado, encerra-se o período de hegemonia cultural passiva.
    2. “Inimigos em Casa”: A Secessão do Cotidiano
      A afirmação de que os estadunidenses tornaram-se “inimigos dentro de seus próprios lares” reflete o que Stephanie Brito descreveu como a transição para um estado de conflito civil prolongado.
    • Ritualística da Lealdade: A denúncia de “rituais de lealdade” sugere a imposição de mecanismos de controle ideológico que violam a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, despojando o cidadão de sua dignidade em favor de uma fidelidade personalista ao Executivo.
    • As “Grietas” Permanentes: O alerta sobre fendas sociais irreversíveis coincide com o momento em que o Senado (Resolução 47) e o Pentágono buscam isolar a Casa Branca da autoridade militar, evidenciando uma “secessão institucional” de fato.
    1. O Colapso da “Marca USA” e a Reação do Sul Global
      A denúncia de Swift acelera o isolamento internacional do país, alimentando o Grande Boicote Americano.
    • Vampirismo e Repulsa: Enquanto Trump utiliza táticas de sequestro e asfixia contra a soberania de nações como Venezuela e Cuba, a denúncia interna de Swift retira o verniz de “defensor da liberdade” que Washington ainda tentava sustentar perante a ONU.
    • O Fim da Autoridade Moral: Para os países dos BRICS+ e da CELAC, o reconhecimento doméstico de que o líder é “não apto” valida a busca por alternativas de poder que ignorem o dólar e as diretrizes norte-americanas.
    1. Conclusão: A História não Perdoa o Absolutismo
      Como você
    2. O “diabo” de Washington tentou sequestrar o amanhã, mas acabou prisioneiro do ódio que ele mesmo semeou. Em fevereiro de 2026, o grito de Taylor Swift prova que a dignidade humana é o único mapa mental que o imperialismo não consegue sequestrar. A história está a ser escrita por quem se recusa a ser “inimigo em sua própria casa” e por quem entende que a soberania começa na consciência de cada cidadão.
      Referências Bibliográficas e Documentais
    • CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS. Primeira Emenda (Liberdade de Expressão) e Vigésima Quinta Emenda (Inaptidão Presidencial).
    • LIVE TV BROADCAST. Taylor Swift Statement on Presidential Fitness. 12/02/2026.
    • ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos: Artigo 18 (Liberdade de Pensamento e Consciência).
    • OPERA MUNDI. Estados Unidos e a Crise da Democracia Liberal. Entrevista com Stephanie Brito. 07/02/2026.
    • WOLFF, Richard. The Economics of Cultural Collapse and Imperial Decay. 2026.
    • LULA DA SILVA, Luiz Inácio. This Hemisphere Belongs to All of Us. New York Times, 18/01/2026.
  • ​Memorial de Transmutação: Renato Rabelo e a Eternidade da Práxis

    ​1. A Transmutação do Protagonista em Referência (A Ótica de Espinosa)

    ​Na filosofia de Espinosa, a morte é apenas uma mudança na proporção de movimento e repouso da matéria. Para um revolucionário da estatura de Renato Rabelo, esse processo é uma transmutação da potência individual em potência coletiva.

    • ​Ao deixar de ser o dirigente que executa, ele transmuta-se na ideia que orienta. Sua vida de protagonista — da Ação Popular à Presidência do PCdoB — cristaliza-se agora como uma “substância” que compõe o DNA político de todos os que defendem a soberania e o socialismo.

    ​2. O Método Pedagógico como Legado Vivo

    ​Como evidenciado em sua vivência na Escola Nacional, o legado de Renato não é estático. Sua prática de ouvir, anotar e sintetizar as divergências transformou a teoria política em um organismo vivo.

    • ​Academicamente, Rabelo operou o que chamamos de Intelectualidade Orgânica: ele não apenas interpretou o Brasil, mas forneceu as ferramentas (Socialismo no Século XXI) para que o povo brasileiro pudesse transformá-lo. A “honra” de sua história reside na generosidade de ter formado seus próprios sucessores.

    ​3. A Dimensão Internacionalista e a Harmonia Cósmica

    ​Seguindo a lógica da religiosidade cósmica de Einstein, a trajetória de Renato buscou a harmonia entre o particular (a luta no Brasil) e o universal (o socialismo mundial).

    • ​Sua transmutação ecoa para além das fronteiras brasileiras, alcançando o internacionalismo revolucionário. Ele compreendeu que a “unidade sistematizada do universo” exige que a luta por justiça em um país seja um reflexo da harmonia necessária em todo o planeta.

    ​4. Síntese Histórica: Do Protagonismo à Honra Eterna

    ​A partida de Renato Rabelo durante o Carnaval — a maior expressão da alma e do povo brasileiro — simboliza sua fusão final com a identidade nacional.

    • Para os Comunistas: Ele permanece como o mestre do método dialético.
    • Para os Democratas: Ele fica como o fiador da unidade e das frentes amplas.
    • Para o Povo Brasileiro: Ele consolida-se como um arquiteto da liberdade.

    ​Veredito de Paralaxe

    ​Renato Rabelo não é mais um indivíduo no tempo; ele tornou-se o próprio tempo histórico do PCdoB e da esquerda brasileira. Sua transmutação garante que, enquanto houver uma Escola de formação, uma célula partidária ou uma luta por direitos, a “energia irradiada” por sua vida de protagonista continuará a orientar o rumo da revolução.

    Renato Rabelo: Um legado de honra, cristalizado na história.

  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo
    O presente artigo analisa a ascensão da estética brasileira — denominada internacionalmente como Brazilcore — no cenário global entre os anos de 2025 e 2026. Através de uma perspectiva de paralaxe, investiga-se como elementos da cultura periférica e do cotidiano nacional foram transmutados em ativos de luxo e ferramentas de soft power. O estudo aborda a tensão entre a valorização da identidade nacional e o risco de esvaziamento sociopolítico por meio da apropriação mercadológica, confrontando a imagem de “potência criativa” com as realidades da estrutura produtiva brasileira.

    1. Introdução
      O Brasil de 2026 vive um paradoxo de visibilidade. Após décadas sendo exportador de commodities primárias, o país consolidou sua transição para uma economia de influência simbólica. O fenômeno Brazilcore, que teve início nas redes sociais (TikTok e Instagram), evoluiu de uma tendência passageira para um pilar de branding global, influenciando desde a alta costura parisiense até o design de consumo de massa.
    2. O Soft Power Brasileiro: Entre a Diplomacia e o Consumo
      O conceito de soft power, cunhado por Joseph Nye, encontra no Brasil atual sua expressão máxima. A influência não advém de coerção econômica, mas da capacidade de atração.
    • A Estética do Vigor: A música (funk, samba, bossa nova contemporânea) e a moda (Farm, Misci, Havaianas) criam um imaginário de “autenticidade” em um mundo digitalmente saturado.
    • O Novo Luxo: A pesquisa de mercado da Bain & Company (2026) aponta que o luxo brasileiro não reside mais na mimese do europeu, mas na exaltação da “brasilidade bruta” — o uso de materiais nativos, cores vibrantes e narrativas ancestrais.
    1. Análise de Paralaxe: A Dualidade da Representação
      Para uma análise profunda, deve-se observar o fenômeno por dois prismas divergentes:
    • A Visão do Mercado Global: O Brasil é visto como um reservatório de criatividade inesgotável e um destino de estilo de vida desejável. O “ser brasileiro” torna-se um produto de exportação de alto valor agregado.
    • A Visão do Chão de Fábrica e da Luta Social: Enquanto a estética periférica (o funk, o chinelo, a camisa de time) desfila em Paris, as estruturas que produzem essa cultura ainda lutam por reconhecimento institucional e direitos fundamentais. Há um descompasso entre a imagem do Brasil próspero e a realidade das relações de trabalho na base da pirâmide criativa.
    1. O Arcabouço Constitucional e a Defesa da Cultura
      A valorização da cultura brasileira não é apenas um fenômeno de mercado, mas um imperativo constitucional. A Constituição Federal de 1988, em seus artigos 215 e 216, estabelece que o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional, além de proteger as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras.
    • Art. 216: Define o patrimônio cultural brasileiro como bens de natureza material e imaterial que portam referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade.
    • A “Brasilmania” de 2026 deve ser lida sob este prisma: a exploração comercial da imagem do país deve, obrigatoriamente, respeitar a integridade e a origem desses saberes, evitando o que a sociologia chama de “extrativismo cultural”.
    1. Conclusão
      O Brasil “está na moda” porque conseguiu oferecer ao mundo uma alternativa estética ao minimalismo estéril do norte global. Contudo, para que este movimento resulte em soberania nacional, é necessário que o reconhecimento simbólico se traduza em fortalecimento das instituições locais e proteção dos trabalhadores da cultura. O desafio para 2026 e além é transformar o “estilo brasileiro” em um projeto de desenvolvimento sustentável e justo.
      Referências Bibliográficas Relevantes
    • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal. (Especialmente Artigos 215 e 216).
    • NYE, Joseph S. Soft Power: The Means to Success in World Politics. PublicAffairs, 2004.
    • BAIN & COMPANY. A nova era de crescimento do mercado de luxo no Brasil (Relatório 2025/2026).
    • SANT’ANNA, Mara R. Teoria de Moda: Sociedade e Identidade. Editora Estação das Letras e Cores, 2020.
    • HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. DP&A Editora, 2006.
    • CANCLINI, Néstor García. Culturas Híbridas: Estratégias para entrar e sair da modernidade. EDUSP, 2015.
    • BBC News Brasil. ‘Brazil core’: como se vestir de brasileiro virou moda no exterior. Outubro de 2025.
      Como este é um tema que envolve a
  • .Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo: O presente artigo analisa o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” sob a ótica da geopolítica interna e da formação de lideranças. Investiga-se como a narrativa do samba-enredo de 2026 articula a memória dos movimentos sociais, a resistência à ditadura militar e a consolidação de um projeto de nação pautado na justiça social e na soberania nacional.

    1. Introdução: O Samba como Instrumento de Agitação e Pedagogia
      O Carnaval, historicamente, atua como um espaço de disputa de narrativas. No contexto de 2026, a escolha da Acadêmicos de Niterói transcende o entretenimento para se tornar um exercício de pedagogia classista. A letra do samba não se limita à biografia individual, mas projeta a trajetória do operariado brasileiro, partindo da carência estrutural do Nordeste (o “retirante”) até a ocupação dos espaços de decisão (a “liderança mundial”).
    2. A Gênese do Sujeito Classista: Do Sindicalismo à Práxis Política
      A transição descrita nos versos “Da luta sindical / À liderança mundial” reflete o que a teoria do planejamento chama de acúmulo de capacidades cognitivas e organizativas.
    • A Escola do Sindicato: O sindicato é apresentado como a célula mater da consciência. É no embate direto com o capital que o “operário” deixa de ser objeto da história para se tornar sujeito.
    • O Conflito Distributivo: A letra expõe a contradição fundamental do capitalismo brasileiro: “A pobreza e o pranto se dividem para tantos / E a riqueza multiplica para alguns”. Esta é a base da análise de paralaxe: observar o mesmo fenômeno (o crescimento econômico) a partir de pontos de vista distintos — o do capital e o do trabalho.
    1. Memória Política e Defesa do Estado Democrático
      O artigo destaca a importância da intertextualidade histórica presente na citação de mártires como Vladimir Herzog, Rubens Paiva, Zuzu Angel e Henfil.
    • A Luta Anti-Hegemônica: Ao invocar esses nomes, o samba-enredo reforça que a soberania brasileira foi conquistada com o “preço da raiva” e do sacrifício.
    • A Questão da Anistia: O verso “Sem mitos falsos, sem anistia” introduz uma dimensão jurídica e constitucional, dialogando com o direito à memória e à verdade, essencial para que o “planejamento situacional” de uma nação não repita os erros do passado autoritário.
    1. Soberania Nacional e Geopolítica da Fome
      A análise da soberania é o ponto alto do texto acadêmico. O samba rejeita a visão subalterna do Brasil no cenário internacional:
    • Resistência às Sanções: O trecho “Sem temer tarifas e sanções / Assim que se firma a soberania” remete à autonomia da política externa brasileira e à capacidade de enfrentar pressões de blocos hegemônicos em prol do desenvolvimento interno.
    • Segurança Alimentar: A citação a Betinho e a urgência da fome vinculam a dignidade humana à segurança nacional. No pensamento classista, não há soberania se a base da pirâmide social não possui acesso ao consumo básico.
    1. Conclusão: O “Brasil da Silva” como Projeto Estratégico
      O enredo conclui que a ascensão social (“filho de pobre virando doutor”) não é um acidente, mas um projeto de planejamento popular. A vitória do “amor sobre o medo” é reinterpretada não como um slogan sentimental, mas como a superação do terrorismo político e econômico pelas forças da organização popular.
      Referências Bibliográficas e Fontes Constitucionais
    • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Especialmente os Art. 1º (Soberania), Art. 3º (Erradicação da pobreza) e Art. 170 (Valorização do trabalho humano).
    • MATUS, Carlos. Política, Planejamento e Governo. Brasília: IPEA, 1993. (Fundamentação sobre o Planejamento Estratégico Situacional – PES).
    • ANTUNES, Ricardo. Os Sentidos do Trabalho: Ensaio sobre a Afirmação e a Negação do Trabalho. São Paulo: Boitempo, 1999.
    • SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000. (Base para a análise de paralaxe geográfica e social).
    • GOMES, Wilson. A Política no Carnaval e o Carnaval na Política. Ensaios de Cultura Popular, 2018.
    • ACADÊMICOS DE NITERÓI. Sinopse do Enredo 2026: Do alto do Mulungu surge a esperança. Rio de Janeiro: LIESB/Riotur, 2026.
  • Por José Evangelista Rios da Silva


    Resumo: O presente artigo examina as disparidades entre o valor nominal do salário mínimo e o custo efetivo de reprodução da força de trabalho na América Latina. Através de uma análise em paralaxe, confrontam-se os dados de Costa Rica, Chile e Uruguai com a realidade brasileira, utilizando como métrica o Salário Mínimo Necessário calculado pelo DIEESE. Conclui-se que a manutenção de pisos salariais abaixo da linha de subsistência biológica constitui uma ferramenta de controle social e extração de mais-valia absoluta pelas elites econômicas regionais.

    1. Introdução: O Salário como Variável de Ajuste
      A determinação do salário mínimo nos países da América Latina é frequentemente apresentada sob uma ótica puramente macroeconômica, ignorando a subjetividade e a necessidade material do trabalhador. Conforme observado em análises conjunturais de 2025 e 2026, países como Costa Rica, Chile e Uruguai ostentam os maiores valores nominais da região (variando entre US$ 550 e US$ 650). No entanto, a análise do “poder de compra” revela que esses valores são insuficientes para cobrir o conjunto de despesas básicas de uma família padrão (alimentação, habitação, transporte e energia).
    2. A Crueldade Estrutural: Brasil vs. Cone Sul
      A comparação entre as economias “estabilizadas” e a potência brasileira revela uma crueldade sistêmica na distribuição da riqueza:
    • O Modelo Chileno e Uruguaio: Em Santiago e Montevidéu, o salário mínimo de aproximadamente US$ 550 é consumido quase integralmente pelo custo de transporte e canasta básica, resultando em orçamentos negativos antes mesmo do pagamento do aluguel.
    • A Exceção Brasileira: No Brasil, a defasagem assume contornos históricos. Enquanto o salário oficial de 2026 foi fixado em R$ 1.621,00, o Salário Mínimo Necessário — fundamentado no Art. 7º da Constituição Federal — foi calculado em R$ 7.177,57 pelo DIEESE.
    1. Fundamentação Constitucional e o Direito à Vida
      A Constituição Federal Brasileira de 1988, em seu Art. 7º, inciso IV, estabelece que o salário mínimo deve ser capaz de atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.
      A realidade de 2026, onde o salário mínimo nominal cobre apenas 22,5% do valor necessário, demonstra uma violação sistemática do preceito constitucional. Essa disparidade é a “paralaxe da exploração”: do ponto de vista do mercado, o aumento de R$ 103,00 em 2026 é visto como um “limite fiscal”; do ponto de vista da classe trabalhadora, é a manutenção de um estado de insegurança alimentar planejado.
    2. A Soberania de Classe e a Luta pelo Ganho Real
      Conforme o debate classista contemporâneo, a superação deste cenário não virá da compaixão das elites, mas da rebeldia organizada. A pauta do SINTRASUPER, reivindicando um ganho real de 5% e o fim da escala 6×1, é uma resposta direta à política de arrocho. A sustentabilidade do setor varejista, que cresceu 9,1% na Bahia em 2025, prova que há riqueza para financiar a dignidade, mas falta vontade política e sobra ganância patronal.
      Referências Bibliográficas e Legislativas
    • BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Art. 7º, incisos IV e XIII.
    • BBC NEWS MUNDO. Los 3 países que tienen el salario mínimo más alto de América Latina (y para qué alcanza). Produção: Ana María Roura et al. Set. 2023.
    • DIEESE. Nota Técnica: Salário Mínimo Necessário – Janeiro/Fevereiro de 2026.
    • IBGE. Pesquisa Mensal do Comércio (PMC): Desempenho do Varejo na Bahia – Relatório Anual 2025.
    • SINTRASUPER/CTB. Relatório do Seminário de Planejamento da Campanha Salarial 2026. Lauro de Freitas, BA, Jan. 2026.
  • Por José Evangelista Rios da Silva

    Resumo: O presente artigo analisa as contradições inerentes à relação capital-trabalho no setor supermercadista de Salvador (BA). Sob a ótica da paralaxe classista, examina-se o abismo entre o faturamento recorde do setor e a pauperização da classe trabalhadora. Fundamentado nos dados do DIEESE e nos preceitos constitucionais, justifica-se a reivindicação do SINTRASUPER por ganho real de 5% e redução da jornada (escala 5×2), visando a sustentabilidade do meio ambiente laboral e a preservação da dignidade de milhares de pais e mães de família.

    1. Introdução: O Superlucro sobre a Mesa Vazia
      A dinâmica econômica de 2025 e o início de 2026 revelam uma assimetria gritante: enquanto o setor de supermercados na Bahia registrou crescimento de 9,1% na receita nominal, o poder de compra dos trabalhadores é corroído pela inflação seletiva de alimentos. A contradição central reside no fato de que o setor que comercializa a subsistência da nação é o mesmo que impõe a seus trabalhadores um ticket médio de R$ 17,50, valor insuficiente para adquirir uma refeição comercial digna em Salvador (custo médio de R$ 37,36).
    2. Fundamentação Constitucional e o Mínimo Necessário
      O Artigo 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988 estabelece que o salário mínimo deve atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família. Contudo, os dados de janeiro de 2026 demonstram que o Salário Mínimo Necessário deveria ser de R$ 7.177,57.
    • O salário vigente de R$ 1.621,00 cobre apenas 22,5% das necessidades básicas.
    • Essa defasagem estrutural justifica a exigência de ganho real de 5% acima da inflação (INPC), totalizando um pleito de 9,5% de reajuste, como mecanismo de recuperação mínima da dignidade produtiva.
    1. A Economia do Tempo: Escala 5×2 e Sustentabilidade Laboral
      A jornada de trabalho no setor, historicamente baseada na escala 6×1, configura uma expropriação do tempo de vida e do convívio familiar.
    • A proposta de alteração da CCT para a escala 5×2 não é apenas uma demanda econômica, mas um imperativo de saúde pública e mental, combatendo o adoecimento por esforço repetitivo e estresse ocupacional.
    • O argumento patronal de “falta de mão de obra” é refutado pela alta taxa de rotatividade (turnover), utilizada para achatar salários e evitar o pagamento de direitos adquiridos, como o triênio de 3%.
    1. A Proposta da Assembleia Geral: Mudanças na CCT 2026/2027

      A Assembleia Geral do SINTRASUPER, realizada em 26/01/2026, deliberou por alterações estratégicas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) vigente:
      Cláusula Descrição Atual Mudança Proposta pela Categoria
      Salarial Reposição apenas do INPC Ganho Real de 5% (Total 9,5%)
      Jornada Escala 6×1 (44h semanais) Escala 5×2 (Redução para 40h)
      Alimentação Ticket de R$ 17,50 Valor de R$ 30,00 (Mínimo para consumo)
      Saúde Sem monitoramento específico Implantação da NR-1 para saúde mental Conclusão: Por um Ambiente de Trabalho Humano
      A lucratividade “gigantesca” mencionada no debate classista provém da extração de mais-valia absoluta e relativa sobre milhares de pais e mães de família em Salvador. A sustentabilidade do setor supermercadista depende, obrigatoriamente, da valorização de quem opera o sistema. A pauta de 2026/2027 é, portanto, um manifesto pela vida contra a exploração desenfreada do capital.
      Referências Bibliográficas e Constitucionais
      • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Art. 7º, incisos IV, XIII e XXVI.
      • DIEESE. Nota Técnica: Salário Mínimo Necessário – Fevereiro de 2026.
      • IBGE/SEI. Pesquisa Mensal do Comércio: Desempenho do Varejo na Bahia (2025/2026).
      • SINTRASUPER & SINDSUPER. Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2024/2025 e Proposta de Aditamento 2026/2027.
      • LULA, L. I. Discurso de Abertura do 16º Congresso do PCdoB (Outubro/2025) sobre valorização do trabalho.