Por José Evangelista Rios da Silva
Resumo: O presente artigo analisa o sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores em janeiro de 2026 sob a perspectiva das contradições de classe e do colapso do Direito Internacional. Investiga-se a liquidação forçada da Citgo como expropriação do capital estatal periférico, o uso da tortura como ferramenta de desmoralização política e a subsequente “secessão institucional” no Senado dos EUA (Resolução 47) como anticorpo de um sistema imperial em chamas.
- Introdução: O Sequestro como Prática de Estado
O ano de 2026 marcou a transição definitiva do “Império do Caos” para uma fase de pirataria institucional. O sequestro de líderes eleitos e sua submissão a torturas físicas e psicológicas representam a falência da diplomacia burguesa e a adoção do terrorismo de Estado como norma. Academicamente, este fenômeno deve ser compreendido como uma tentativa de “descapitalização política” do Sul Global, onde a eliminação do líder visa a fragmentação da classe trabalhadora organizada. - A Expropriação da Citgo: Vampirismo Econômico
A liquidação concluída da Citgo em 2026 não foi uma decisão judicial técnica, mas um ato de guerra econômica.
- Acumulação por Despossessão: Ao confiscar o maior ativo externo da Venezuela, os EUA operam a lógica da acumulação primitiva aplicada ao século XXI.
- Privatização Forçada: A asfixia gerada pelo roubo da Citgo obrigou o governo de resistência (liderado por Delcy Rodríguez) a uma abertura agressiva ao capital privado para garantir a sobrevivência básica da população, uma contradição imposta pela escassez de recursos.
- O Martírio e a Resistência: Contradições de Classe
A tortura de Maduro e Cilia Flores teve como objetivo quebrar a espinha dorsal do chavismo, mas provocou o efeito oposto.
- Solidariedade de Classe: A resposta das massas venezuelanas e da CELAC, liderada pelo Brasil, demonstrou que a agressão ao líder é sentida como uma agressão à classe trabalhadora regional.
- O Eixo Delcy-Padrino López: A manutenção do controle pelo núcleo de segurança (Padrino López) e a gestão técnica de Delcy Rodríguez garantiram que a “anarquia” planejada pela inteligência ianque não se materializasse, mantendo a coesão do Estado sob cerco.
- O Colapso do Direito Internacional e a ONU
As ações de força de 2026 violam os pilares da Carta das Nações Unidas.
- Inexistência de Ritos: O sequestro e a tortura sem indiciamento ou julgamento lícito constituem crimes contra a humanidade sob o Estatuto de Roma.
- Resolução 47 do Senado dos EUA: A revolta interna no legislativo norte-americano confirma que a “gangue de Trump” opera fora da própria constitucionalidade americana, gerando um risco sistêmico para a paz mundial.
- Conclusão: O Horizonte da Libertação
O “Império do Caos” sequestrou o presidente, mas não conseguiu sequestrar a história. A aproximação estratégica com a China (sistema BeiDou) e a Índia (parceria Modi-Rodríguez) sinaliza que a asfixia imperial gerou os próprios anticorpos para a sua destruição. O sequestro de 2026 será lembrado como o momento em que o império perdeu a sua última máscara moral, obrigando os povos a reverem suas certezas e a buscarem a soberania definitiva.
Referências Bibliográficas e Documentais
- DOUHAN, Alena. Relatório sobre o impacto negativo das medidas coercivas unilaterais. Conselho de Direitos Humanos da ONU, 2025/2026.
- FIORI, José Luís. O Império do Caos e a Nova Geopolítica do Petróleo. São Paulo: Terra é Redonda, 2026.
- HARVEY, David. O Novo Imperialismo: Acumulação por Despossessão. (Edição revisada 2025).
- ONU. Carta das Nações Unidas: Artigos 2(4) sobre a proibição do uso da força e soberania estatal.
- WOLFF, Richard. The Economics of the Global Boycott and the Decline of the Dollar. 2026.
- LULA DA SILVA, Luiz Inácio. This Hemisphere Belongs to All of Us. New York Times, 18/01/2026.
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