José Evangelista Rios da Silva

Resumo: O presente artigo analisa a trajetória da política externa dos Estados Unidos em 2026, marcada pela radicalização do governo Donald Trump. Investiga-se a transição da “Doutrina Monroe” para uma prática de “vampirismo geopolítico”, exemplificada pelo sequestro de Nicolás Maduro, as ameaças de anexação da Groenlândia e o isolamento em Davos. O texto explora como a Resolução 47 do Senado e o Grande Boicote Americano sinalizam o esgotamento da capacidade de coerção imperial perante a ascensão de potências como China, Rússia e o bloco BRICS+.

  1. Introdução: A Arrogância como Eixo da “Demência Imperial”
    O ano de 2026 consolidou o que teóricos como Samir Amin classificaram como o “Império do Caos”. A gestão Trump abandonou a diplomacia tradicional em favor de uma “guerra simbólica” e chantagem emocional, onde a humilhação de aliados e a espoliação de inimigos tornaram-se o modus operandi. Esta “demência imperial” reflete o ressentimento de uma superpotência que perde a competição econômica pacífica e recorre ao poder militar e sanções unilaterais como última ratio de sobrevivência.
  2. O Caso Venezuela e a Secessão Institucional
    A operação de captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026 marcou o ápice da agressividade trumpista no Caribe. No entanto, “a bola pune” a arrogância:
  • Resolução 47 do Senado: Num movimento de autodefesa institucional, 17 senadores republicanos uniram-se à oposição para aprovar uma medida que anula os poderes de guerra presidenciais, expondo a fratura na cadeia de mando.
  • A Falha da Inteligência: A revelação russa sobre a infiltração da CIA e a subsequente identificação da “quinta coluna” em Caracas provaram que o império não detém mais o monopólio da informação.
  1. O “Grande Boicote” e o Isolamento em Davos
    A repulsa moral global transformou a “Marca USA” em um ativo tóxico.
  • A Huelga de Capital: CEOs das “Global 50” iniciaram um retiro silencioso de recursos dos EUA, movendo fábricas e investimentos para o eixo euroasiático devido à instabilidade gerada por decretos intempestivos.
  • O Ostracismo Internacional: Em Davos, a recusa de Trump em dialogar sobre a pauta climática e a ameaça de tarifas de 200% isolaram Washington, forçando aliados como a UE e países do Golfo a buscarem neutralidade estratégica.
  1. O Sul Global e a ONU: O Cordão Sanitário Diplomático
    Relatórios da ONU e resoluções do Conselho de Direitos Humanos expressam grave preocupação com o uso de Medidas Coercitivas Unilaterais.
  • Violação do Direito Internacional: O Relator Especial da ONU destacou que o bloqueio a Cuba e Venezuela impede a assistência humanitária e viola princípios de soberania e não intervenção.
  • A Opção Nuclear dos BRICS: A reunião de emergência de 2026 discutiu a desdolarização total das transações de petróleo, ameaçando os alicerces financeiros do sistema construído após a Segunda Guerra Mundial.
  1. Conclusão: O Fim do Século Americano
    A trajetória errante do egocêntrico chefe da Casa Branca acelerou um processo histórico inevitável: o nascimento de uma ordem onde nenhum império consegue dormir em paz sob a asfixia alheia. O “diabo” que tentou sequestrar a história descobriu que a dignidade dos povos e a resistência tecnológica (como o sistema BeiDou e as parcerias da Índia) criaram um horizonte impenetrável para a “Doutrina Monroe”.
    Referências Bibliográficas Relevantes
  • AMIN, Samir. The Empire of Chaos. New York: Monthly Review Press, 1992 (revisitado em 2026).
  • DOUHAN, Alena. Report on the negative impact of unilateral coercive measures on the enjoyment of human rights. UN Human Rights Council, 60th Session, 2025/2026.
  • FIORI, José Luís. O Império do Caos sob a Hegemonia Norte-Americana. São Paulo: A Terra é Redonda, 2026.
  • ONU. Resolution 78/135: Unilateral economic measures as a means of political and economic coercion against developing countries. General Assembly, 2025/2026.
  • WOLFF, Richard. The Economics of the Global Boycott and the Decline of the Dollar. 2026.
  • LULA DA SILVA, Luiz Inácio. This Hemisphere Belongs to All of Us. New York Times, 18/01/2026.
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