Por José Evangelista Rios da Silva

Resumo
O presente artigo analisa o processo de desintegração ideológica de quadros políticos oriundos do movimento comunista brasileiro que, ao serem absorvidos pela superestrutura institucional burguesa, abandonam a centralidade da luta de classes em favor de um nacionalismo pragmático e de pautas fragmentadas. Investiga-se como a ascensão econômica e o prestígio parlamentar atuam como catalisadores para o “carreirismo perspectivo”, resultando na negação do projeto coletivo e revolucionário em prol de um projeto solista de poder.

  1. Introdução: A Superestrutura como Espaço de Cooptação
    A luta de classes não se encerra nas fábricas; ela se estende à batalha das ideias. Conforme as resoluções históricas do PCdoB, o Partido é o instrumento de vanguarda que exige do militante a abnegação e a subordinação do “eu” ao “nós”. Entretanto, a imersão prolongada no institucionalismo liberal-burguês cria uma zona de atrito onde a ética revolucionária é testada pela sedução do status e da estabilidade financeira, transformando o “quadro” em “político de carreira”.
  2. O Carreirismo Perspectivo e o Fetiche da Ascensão
    O fenômeno descrito como “carreirismo perspectivo” ocorre quando o horizonte do militante deixa de ser a ruptura com o sistema e passa a ser a ocupação de espaços dentro dele.
  • O Salto Material: A discrepância entre o ganho de um trabalhador de base (como o exemplo das 75 URVs) e os subsídios parlamentares (6 mil URVs) gera um descolamento da realidade social.
  • A Captulação Psicológica: O quadro passa a acreditar que sua relevância individual é superior à do Partido. Esse “solismo” é a antítese do centralismo democrático, onde a vontade individual deve se curvar às decisões coletivas após o debate interno.
  1. A Substituição da Luta de Classes por Pautas Isoladas
    A análise do vídeo de Aldo Rebelo demonstra a substituição do projeto sistêmico pela “defesa de pontos isolados”. Ao negar a atualidade da luta de classes, o sujeito capitulado adota um nacionalismo que não questiona a propriedade privada dos meios de produção ou o papel do latifúndio (agronegócio).
    A democracia liberal passa a ser vista como um “valor universal” e absoluto, e não como uma forma histórica de dominação de classe. As pautas como meio ambiente e questões de gênero são, então, tratadas de forma estanque, desprovidas da centralidade no trabalho, servindo mais como moedas de troca no mercado eleitoral do que como alavancas de transformação social.
  2. Conclusão: O Desafio da Formação Continuada
    A educação do militante, conforme as diretrizes de formação do PCdoB, deve ser um processo permanente de “vigilância revolucionária”. A capitulação de figuras históricas serve como um alerta: sem a fundamentação teórica sólida e o vínculo orgânico com as massas trabalhadoras, o brilho do institucionalismo burguês acabará por ofuscar o compromisso com o socialismo. A “cura” para o vício burguês do carreirismo reside no retorno às bases e na intransigência com os princípios do centralismo democrático.
    Referências Bibliográficas e Documentais Recomendadas
  • PCdoB. Estatuto do Partido Comunista do Brasil. (Especialmente os capítulos que tratam do Centralismo Democrático e dos deveres do militante).
  • PCdoB. Programa Socialista para o Brasil: Resoluções do 15º Congresso. (Brasília, 2021).
  • MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O Manifesto do Partido Comunista. (Referência fundamental para a compreensão da luta de classes).
  • LENIN, V.I. Que Fazer? (Sobre a importância da vanguarda e a luta contra o economicismo e o oportunismo).
  • GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. (Sobre o papel dos intelectuais e a hegemonia na superestrutura).
  • LOSURDO, Domenico. A Luta de Classes: Uma História Política e Filosófica. (Para a análise da fragmentação das lutas sociais na contemporaneidade).
  • MÉSZÁROS, István. Para Além do Capital. (Sobre a necessidade de um projeto sistêmico que supere a lógica do capital).
  • CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (1988). (Para análise do choque entre a institucionalidade vigente e as aspirações de transformação radical).
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