Por José Evangelista Rios da Silva
Resumo
O presente artigo analisa o processo de desintegração ideológica de quadros políticos oriundos do movimento comunista brasileiro que, ao serem absorvidos pela superestrutura institucional burguesa, abandonam a centralidade da luta de classes em favor de um nacionalismo pragmático e de pautas fragmentadas. Investiga-se como a ascensão econômica e o prestígio parlamentar atuam como catalisadores para o “carreirismo perspectivo”, resultando na negação do projeto coletivo e revolucionário em prol de um projeto solista de poder.
- Introdução: A Superestrutura como Espaço de Cooptação
A luta de classes não se encerra nas fábricas; ela se estende à batalha das ideias. Conforme as resoluções históricas do PCdoB, o Partido é o instrumento de vanguarda que exige do militante a abnegação e a subordinação do “eu” ao “nós”. Entretanto, a imersão prolongada no institucionalismo liberal-burguês cria uma zona de atrito onde a ética revolucionária é testada pela sedução do status e da estabilidade financeira, transformando o “quadro” em “político de carreira”. - O Carreirismo Perspectivo e o Fetiche da Ascensão
O fenômeno descrito como “carreirismo perspectivo” ocorre quando o horizonte do militante deixa de ser a ruptura com o sistema e passa a ser a ocupação de espaços dentro dele.
- O Salto Material: A discrepância entre o ganho de um trabalhador de base (como o exemplo das 75 URVs) e os subsídios parlamentares (6 mil URVs) gera um descolamento da realidade social.
- A Captulação Psicológica: O quadro passa a acreditar que sua relevância individual é superior à do Partido. Esse “solismo” é a antítese do centralismo democrático, onde a vontade individual deve se curvar às decisões coletivas após o debate interno.
- A Substituição da Luta de Classes por Pautas Isoladas
A análise do vídeo de Aldo Rebelo demonstra a substituição do projeto sistêmico pela “defesa de pontos isolados”. Ao negar a atualidade da luta de classes, o sujeito capitulado adota um nacionalismo que não questiona a propriedade privada dos meios de produção ou o papel do latifúndio (agronegócio).
A democracia liberal passa a ser vista como um “valor universal” e absoluto, e não como uma forma histórica de dominação de classe. As pautas como meio ambiente e questões de gênero são, então, tratadas de forma estanque, desprovidas da centralidade no trabalho, servindo mais como moedas de troca no mercado eleitoral do que como alavancas de transformação social. - Conclusão: O Desafio da Formação Continuada
A educação do militante, conforme as diretrizes de formação do PCdoB, deve ser um processo permanente de “vigilância revolucionária”. A capitulação de figuras históricas serve como um alerta: sem a fundamentação teórica sólida e o vínculo orgânico com as massas trabalhadoras, o brilho do institucionalismo burguês acabará por ofuscar o compromisso com o socialismo. A “cura” para o vício burguês do carreirismo reside no retorno às bases e na intransigência com os princípios do centralismo democrático.
Referências Bibliográficas e Documentais Recomendadas
- PCdoB. Estatuto do Partido Comunista do Brasil. (Especialmente os capítulos que tratam do Centralismo Democrático e dos deveres do militante).
- PCdoB. Programa Socialista para o Brasil: Resoluções do 15º Congresso. (Brasília, 2021).
- MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O Manifesto do Partido Comunista. (Referência fundamental para a compreensão da luta de classes).
- LENIN, V.I. Que Fazer? (Sobre a importância da vanguarda e a luta contra o economicismo e o oportunismo).
- GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. (Sobre o papel dos intelectuais e a hegemonia na superestrutura).
- LOSURDO, Domenico. A Luta de Classes: Uma História Política e Filosófica. (Para a análise da fragmentação das lutas sociais na contemporaneidade).
- MÉSZÁROS, István. Para Além do Capital. (Sobre a necessidade de um projeto sistêmico que supere a lógica do capital).
- CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (1988). (Para análise do choque entre a institucionalidade vigente e as aspirações de transformação radical).
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