Por José Evangelista Rios da Silva
Resumo: O presente artigo analisa a transição estrutural da economia chinesa em 2025, caracterizada pelo avanço tecnológico e pela busca da sustentabilidade ambiental. Utilizando a categoria de Economia de Projetamento, formulada pelo professor Elias Jabour, o texto estabelece um contraponto entre o modelo chinês de planejamento centralizado e o histórico de desenvolvimento das economias ocidentais. Argumenta-se que, enquanto o Ocidente externalizou custos ambientais e desindustrializou-se sob a lógica neoliberal, a China utiliza o Estado como indutor de uma nova base produtiva tecnologicamente avançada e ecologicamente orientada.
- Introdução: Para além do Socialismo de Mercado
Diferente das interpretações simplistas que rotulam a China apenas como uma variante de “socialismo de mercado”, a análise sob a ótica da Economia de Projetamento permite compreender a China como uma nova formação econômico-social. Aqui, o mercado é um instrumento, mas a racionalidade dominante é o projeto de longo prazo. Enquanto as potências ocidentais operam sob a ditadura do valor acionário trimestral, a China de 2025 executa metas decenais de soberania tecnológica e neutralidade carbônica. - O Histórico Ocidental: Acúmulo Primitivo e Externalização
As economias centrais (Inglaterra, EUA, Alemanha) construíram sua hegemonia sobre um rastro de destruição ambiental e exploração colonial.
- A Revolução Industrial: O desenvolvimento ocidental foi movido a carvão sem qualquer freio ecológico até meados do século XX.
- O Consenso de Washington: A partir dos anos 80, o Ocidente “limpou” suas cidades exportando suas indústrias poluentes para o Sul Global. Esse processo de desindustrialização gerou economias de serviços financeirizadas, mas fragilizou sua soberania produtiva.
- A China e a Nova Qualidade das Forças Produtivas
Em 2025, a China demonstra que a Economia de Projetamento é capaz de internalizar a questão ambiental como uma variável do desenvolvimento, e não como um impedimento.
- A Paradoja do Crescimento: O aumento de 5,9% na produção industrial em 2025 não é uma expansão quantitativa “suja”, mas qualitativa. O foco em semicondutores, IA e robótica reduz o consumo de energia por unidade de PIB produzido.
- Liderança Energética: Ao contrário do Ocidente, que resiste à transição devido ao lobby das Big Oil, a China estatal lidera a produção de energia fotovoltaica e eólica. O projetamento chinês entende que a segurança energética no século XXI é sinônimo de energia limpa.
- Análise de Paralaxe: Conflitos e Superações
Observar a China em paralaxe exige reconhecer a contradição: o país que mais emite CO2 é o mesmo que mais investe em sua redução.
- Saneamento e Tecnologia: O uso de satélites e IA para monitorar 90% das águas subterrâneas contaminadas demonstra a capacidade de resposta técnica a problemas gerados pelo próprio crescimento.
- Trabalho e Renda: Na economia de projetamento, a automação industrial (Indústria 4.0) é planejada para evitar convulsões sociais, buscando integrar a massa trabalhadora em novos setores de serviços tecnológicos e economia verde.
- Conclusão
A comparação histórica revela que a China está realizando sua “revolução industrial” e sua “transição verde” simultaneamente, algo que o Ocidente nunca tentou. A economia de projetamento oferece uma alternativa ao caos do mercado, provando que é possível crescer 5% ao ano (como em 2025) enquanto se persegue a neutralidade de carbono para 2060. Para o sindicalismo classista, o desafio é compreender que o centro da luta de classes deslocou-se para o domínio da ciência e da tecnologia sob o controle do Estado.
Referências Bibliográficas Relevantes
- JABOUR, Elias; GABRIELE, Alberto. China: O socialismo do século XXI. Editora Boitempo, 2021. (Obra fundamental para a definição de Economia de Projetamento).
- LOSURDO, Domenico. A luta de classes: Uma história política e filosófica. Boitempo, 2015. (Para a análise da paralaxe histórica e política).
- HARVEY, David. O Neoliberalismo: História e implicações. Loyola, 2008. (Para comparação com o modelo de desindustrialização ocidental).
- MAZZUCATO, Mariana. O Estado Empreendedor. Portfolio-Penguin, 2014. (Sobre o papel do Estado na inovação, embora com viés ocidental).
- Relatório CGTN/CNN Brasil (2026): Dados sobre a Produção Industrial de Valor Agregado da China em 2025.
- Plano “Made in China 2025”: Documentos oficiais de diretrizes para a Indústria 4.0 e sustentabilidade.
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