Por José Rios, um Militante Classista pela Autonomia dos Povos
Introdução: O Preço da Confissão e a Dialética da Sobrevivência
A crise do Caribe deixou de ser um conflito de fronteira para se tornar a última grande batalha ideológica e material entre o Imperialismo e a Soberania. A confissão pública de figuras como a congressista María Salazar — de que o objetivo é fazer da Venezuela um “campo de piquenique para as companhias petrolíferas americanas” — destituiu a agressão de qualquer vestígio moral. A “nova fase de operações” de Trump, embora não seja uma invasão total, é a última cartada desesperada de um sistema que falhou em sua guerra econômica e de sanções.
A luz do Materialismo Histórico-Dialético, a agressão é a Tese do Capital Extrativista; a Antítese é a resistência multifacetada (Classe Operária Constituinte, Wagner, CELAC). O que prevemos agora é a Síntese, onde a persistência do Império em buscar a guerra (custo militar) irá se chocar com a barreira de custo da resistência, desencadeando o Efeito Blowback que acelerará o seu próprio colapso.
I. A Derrota da Tese Imperial: O Fracasso em Todos os Níveis
O “Império do Caos” já está derrotado em seus objetivos primários, e a tentativa de invasão é um ato de vingança, não de estratégia:

  • A Barreira Militar Infranqueável: O custo de uma invasão total (necessária para subjugar a Defesa Integral e a Milícia Bolivariana em uma guerra de guerrilha urbana nas barrios) é inviável. A presença do fator Wagner e a tecnologia de defesa avançada (S-300VM) criam um custo de baixas americanas que o sistema político (com 70% de rejeição popular à guerra) não pode pagar.
  • O Furo no Bloqueio Econômico: O cerco financeiro (sanções) foi neutralizado. A fuga de 80 navios petroleiros e a previsão de crescimento de 9% do PIB em 2025 provam que a estratégia de estrangulamento falhou. O Imperialismo precisa roubar o recurso porque não conseguiu bloqueá-lo.
  • A Derrota Ideológica e Moral: A denúncia de Delcy Rodríguez (sobre o saque de todo o inventário mineral) e as acusações de Diosdado Cabello (sobre o narcotráfico da CIA) expuseram o Império como o verdadeiro criminoso, eliminando o último vestígio de autoridade moral.
    II. O Foco da Nova Fase: Caos e Terrorismo de Estado
    A “nova fase de operações” dos EUA, por Custo-Benefício, será um incremento na Guerra Híbrida, focada em Caos de Alto Impacto e Baixa Assinatura para desmoralizar a Classe Operária Constituinte:
  • Ataques Cirúrgicos: Uso de drones e mísseis contra vulnerabilidades de infraestrutura (energia, refino) e alvos de alto valor (decapitação de liderança).
  • Guerra Cibernética Total: O principal golpe será paralisar a nação (apagão de energia e comunicações) sem disparar um tiro que possa ser rastreado à OTAN, visando destruir a coordenação da Defesa Integral.
    III. A Armadilha Final: O Efeito Blowback e o Colapso do Império
    O risco de uma invasão de fato (guerra terrestre) representa a Armadilha Final, pois ativaria mecanismos de autodestruição no Império, conforme a análise do MHD:
    | Consequência (Blowback) | Análise da Militância Classista |
    |—|—|
    | Colapso Militar e Social: | A Guerra de Todo o Povo (Milícia/Bairros) gera baixas insuportáveis, forçando o aumento do orçamento militar que será pago pela classe trabalhadora americana (pela falta de recursos sociais, como apontado no problema do alcoolismo). O Império se autodestrói por dentro. |
    | Desintegração Geopolítica: | A invasão com o motivo confesso de pilhagem (Salazar) seria o fim da Doutrina Monroe. A CELAC se consolidaria em um bloco de segurança e o BRICS avançaria na desdolarização, retirando o controle financeiro global do Império. |
    | Crise de Legitimidade Irreversível: | O blowback ideológico seria a vitória da consciência de classe nos EUA. A população reconheceria seu governo como um banditismo de Estado (Cabello), minando a autoridade moral e política do Império em sua própria base. |
    Conclusão: A Unidade como a Única Estratégia
    O fogo da agressão imperialista não está consumindo a Venezuela; está, de forma dialética, forjando a Unidade Continental e a Classe Operária Constituinte em um projeto de soberania econômica e política inabalável. A “nova fase” dos EUA é o último estertor de uma hegemonia que se recusa a morrer, mas que, ao persistir na guerra, está acelerando seu próprio colapso estrutural. A resistência da Pátria Grande é a única garantia de que o Capital Extrativista não vencerá.
    📚 Referências Bibliográficas Relevantes e Necessárias
  • SALAZAR, María. Declarações sobre a “Confissão do Saque” (2025). (Prova da motivação da classe dominante americana: pilhagem do petróleo).
  • MADURO, Nicolás. Discursos sobre a Classe Operária Constituinte e o Fator 70%. (Fonte primária da estratégia de defesa interna e a legitimidade popular).
  • CABELLO, Diosdado. Programa Con el Mazo Dando (Declarações de 2025). (Fonte primária para a denúncia do narcotráfico da CIA e a inversão da acusação).
  • LENIN, V. I. Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo. (Arcabouço teórico sobre a causa econômica da agressão).
  • HARVEY, David. O Novo Imperialismo. (Análise da lógica da “acumulação por espoliação” e a pilhagem de recursos).
  • RODRÍGUEZ, Delcy. Denúncia no Simpósio Mundial dos Bairros (2025). (Prova do saque integral: petróleo, gás, ouro, bauxita, ferro).
  • CHOMSKY, Noam. Hegemonia ou Sobrevivência: A Busca dos Estados Unidos pelo Domínio Global (2003). (Análise da estratégia de intervenção e blowback).
  • CELAC. Proclamação da América Latina e Caribe como Zona de Paz (2014). (Marco diplomático que é ativado pela agressão).
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