O Conselho Estratégico de Võ Nguyên Giáp a Nicolás Maduro
Caro companheiro Maduro,
Em nosso campo, o imperialismo não se apresenta como um adversário novo, mas como o eterno predador, mais potente em tecnologia, mas igualmente vulnerável em moral e resolução política. O “império do caos” que o ameaça é o mesmo que enfrentamos no Vietnã. A diferença não está na sua arrogância, mas em nossa capacidade de transformar sua força em sua fraqueza.
Aqui estão os pilares da estratégia que deve ser adotada para garantir a soberania e o avanço da Revolução Bolivariana:
Pilar 1: O Inimigo Principal Não é o Tanque, é a Divisão Política
A primeira e mais vital linha de defesa da Venezuela não são seus mísseis, mas a unidade das classes trabalhadoras. Lembre-se, a guerra popular é, fundamentalmente, uma guerra política.
- Centralidade das Massas: A base de apoio da Revolução é o seu verdadeiro Exército. Concentre todos os esforços na consolidação do poder popular nas Comunas e nos Conselhos de Trabalhadores. A coesão social inquebrantável é o que nos permitiu vencer em Điện Biên Phủ, onde a logística popular superou a tecnologia francesa.
- O Combate Econômico: O imperialismo inicia a invasão através do bloqueio e da guerra econômica. Sua resposta deve ser aprofundar as formas socialistas de produção e distribuição. A autossuficiência alimentar e a economia de base são o “rearguarda” inexpugnável. A luta de classes é travada no campo e nas fábricas antes de ser travada na trincheira.
- Expurgo da Quinta Coluna: A força imperialista sempre busca agentes internos. Deve-se isolar e neutralizar implacavelmente a burguesia local e a burocracia estatal que colaboram, por ação ou omissão, com o bloqueio. Não confie a defesa da Revolução a corações divididos.
Pilar 2: A Doutrina da Guerra Popular Total e Assimétrica
Você não pode vencer o imperialismo com suas próprias armas. Se tentar confrontá-lo de forma convencional, será esmagado pela sua superioridade tecnológica. A vitória virá da protelação, do uso do terreno e da dispersão do combate.
- Transformar o Território em Arma: A topografia venezuelana – suas montanhas, florestas e cidades densas – deve se tornar a câmara de tortura do invasor. A doutrina militar deve ser totalmente dedicada à Guerra de Guerrilha. Todo cidadão treinado, cada bairro organizado em milícias e cada montanha em uma base de resistência.
- Afastar-se do Confronto Decisivo: Evite o erro de buscar a vitória rápida ou a defesa frontal de objetivos simbólicos. A estratégia deve ser de desgaste. O objetivo não é destruir o exército imperialista de uma vez, mas sim destruir seu moral e esgotar sua vontade política de manter uma guerra prolongada a milhares de quilômetros de distância.
- O Uso da Areia: Faça do deserto (ou da floresta, ou do bairro) sua arma. Assim como as sandálias de pneu nos permitiram mobilizar nossa artilharia onde o inimigo não esperava, a simplicidade e a flexibilidade das suas unidades populares devem anular a rigidez da máquina de guerra do império. O inimigo só é forte onde é visto; torne-o cego e vulnerável.
Pilar 3: A Frente Internacional da Multipolaridade
A solidariedade internacional é o nosso segundo front de combate. O imperialismo busca isolá-lo para que a agressão pareça uma “operação policial” interna.
- Quebrar o Cerco: Mantenha e aprofunde as alianças com todas as potências que resistem à unipolaridade global: China, Rússia, Irã e os movimentos progressistas da América Latina. Estas parcerias fornecem o oxigênio econômico e militar necessário para prolongar a resistência.
- Mobilizar a Opinião Mundial: O imperialismo teme a exposição de sua hipocrisia. A Revolução Bolivariana deve ser a voz mais alta na denúncia do bloqueio e das tentativas de desestabilização. A verdade, quando bem articulada, é uma arma superior à propaganda inimiga.
- A Doutrina do Exemplo: A vitória venezuelana será um farol para todos os povos oprimidos. Lembre-se, nosso objetivo final não é apenas a sobrevivência, mas o triunfo do socialismo. A defesa militar deve ser inseparável da demonstração da superioridade do modelo bolivariano na resolução dos problemas sociais.
A luta será longa e penosa. A paciência estratégica é a chave. Como um rio que contorna a montanha, sua força reside em sua persistência, e não na violência imediata. A história está do lado das massas organizadas.
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